Novos Projetos de Data Centers no Rio de Janeiro
O estado do Rio de Janeiro está se posicionando como um importante protagonista na atração de investimentos em data centers. Com a implementação de projetos tanto públicos quanto privados, a região busca expandir sua infraestrutura digital e promover inovação. A movimentação no setor acompanha a rápida evolução que o mercado de data centers vem experimentando nos últimos anos.
Segundo dados da consultoria JLL, o mercado de data centers cresceu 20% em 2025 na América Latina, atingindo uma capacidade total de 1,1 gigawatt (GW). Para os próximos anos, as expectativas são ainda mais promissoras, com um aumento projetado de até 60%. No Brasil, 50% dessa capacidade está concentrada no país, com São Paulo e Barueri liderando o cenário nacional, seguidos por Campinas. O Rio de Janeiro, por sua vez, ocupa a terceira posição, com 13% da capacidade instalada.
Bruno Porto, gerente de negócios imobiliários da JLL, destaca que o Rio possui pelo menos dois grandes projetos em desenvolvimento: o Porto do Açu, localizado em São João da Barra, e o Rio AI City, na Barra Olímpica. Ele afirma que esses empreendimentos têm o potencial de elevar significativamente a participação do estado no mercado nacional. Além disso, a Barra da Tijuca e São João de Meriti já contam com empresas de data center e novos projetos estão sendo planejados em áreas como Queimados e Duque de Caxias.
Rio AI City: Um Marco para a Inovação
Um dos projetos mais ambiciosos é o Rio AI City, que está sendo desenvolvido pela prefeitura do Rio em parceria com a Elea Data Centers. O projeto visa estabelecer um polo de tecnologia na região do Parque Olímpico, aproveitando a infraestrutura de cabos de fibra óptica que já existe, além da proximidade com cabos submarinos que conectam o Brasil ao exterior.
Com uma capacidade inicial estimada em 1,5 GW — o suficiente para abastecer uma cidade de médio porte —, o Rio AI City tem potencial para ser expandido a até 3,2 GW. Recentemente, foram finalizados estudos sobre a infraestrutura elétrica necessária, em colaboração com a Axia Energia, e agora os documentos serão apresentados aos órgãos reguladores.
De acordo com Alessandro Lombardi, presidente do conselho da Elea, a distribuidora Light já garantiu 250 MW para a primeira etapa do projeto. Ele afirma que estão avançando com a consolidação da infraestrutura de energia e na obtenção das autorizações necessárias junto à prefeitura.
Desafios e Oportunidades no Setor de Data Centers
Mariana Hanania, diretora de pesquisa da Newmark, aponta que, embora o Rio de Janeiro tenha grandes operadores e projetos relevantes, ainda não alcançou a escala dos maiores hubs do país devido a questões de custos que tornam a cidade menos competitiva. Ela observa uma tendência de descentralização, indicando que municípios próximos ao Rio podem se beneficiar da situação, uma vez que contam com terrenos mais acessíveis.
Além dos empreendimentos já mencionados, o Porto Maravalley, localizado no Porto Maravilha, também está se preparando para abrir um novo centro de dados. O hub visa oferecer uma infraestrutura robusta para startups, pesquisadores e empresas, com um espaço dedicado à experimentação e inovação tecnológica, incluindo um “AI Café”.
Niterói, por sua vez, planeja criar um ambiente integrado de ciência e tecnologia no novo Distrito de Inovação da Cantareira, que será inaugurado no próximo dia 30. Este distrito contará com um data center de alto desempenho e articulará parcerias entre universidades, centros de pesquisa e setor produtivo para desenvolver soluções em inteligência artificial e computação avançada.
Impactos da Legislação no Setor
Contudo, o cenário do setor enfrenta desafios, especialmente relacionados à falta de benefícios fiscais. A medida provisória 1.318/2025, que previa um regime especial de tributação para serviços de data center, não foi votada e expirou em fevereiro. Uma nova proposta, o Projeto de Lei 278/2026, está agora em tramitação no Senado após ser aprovada pela Câmara.
Os altos impostos representam cerca de 30% do custo de operação de um data center no Brasil, sendo que 64% desse total refere-se ao ICMS. Essa carga tributária torna a construção e operação desses centros no Brasil cerca de 30% mais cara do que em países como Chile e Colômbia.
Sergio Sgobbi, diretor da Brasscom, destaca que a situação requer atenção imediata, já que decisões a respeito da legislação tributária podem impactar a competitividade do Brasil no setor. Ele enfatiza a urgência de uma resposta do Confaz para que o país se posicione de forma favorável no mercado internacional. Em um mundo cada vez mais digital, esses investimentos são fundamentais para o desenvolvimento econômico e tecnológico do Brasil.

