Celebrar com Moderação: O Cenário Educacional no Brasil
Os dados recentes sobre a educação no Brasil revelam um panorama que pode ser sintetizado em duas expressões: progressos limitados. Embora a insistência em destacar apenas os aspectos negativos seja arriscada — já que pode alimentar diagnósticos simplistas ou promessas de soluções mirabolantes —, a euforia desmedida também levanta preocupações ao não refletir com precisão um cenário que não deve ser normalizado. Em períodos eleitorais, é comum que os governos adotem a estratégia de enfatizar apenas as boas notícias.
No final de fevereiro, por exemplo, a divulgação dos resultados do Saresp (Sistema de Avaliação da Aprendizagem do Estado de São Paulo) trouxe um tom de otimismo por parte do governo paulista. O post da Secretaria da Educação no LinkedIn abria com um exuberante “RESULTADO HISTÓRICO!”, destacando que a rede alcançou recordes em Matemática. Embora a média do 9º ano do ensino fundamental nesta disciplina tenha sido a melhor da série histórica iniciada em 2011, é importante ressaltar que o desempenho ainda é considerado básico segundo a escala de interpretação dos resultados. Em Língua Portuguesa, embora tenha ocorrido uma melhoria entre 2024 e 2025, os números continuam abaixo do que era observado antes da pandemia, além de serem insuficientes.
A Educação e os Resultados de Alfabetização
Outras semanas se passaram e, em uma cerimônia recheada de pompa, o governo federal anunciou os resultados de alfabetização no 2º ano do ensino fundamental. Ao invés de uma coletiva que propiciasse uma discussão aprofundada, o dado de que o Brasil superou a meta de crianças alfabetizadas na idade correta foi divulgado em um evento comemorativo que contou com a presença do presidente Lula, sendo um dos últimos atos do ex-ministro Camilo Santana antes de sua saída para se focar nas eleições. O aumento do percentual de crianças alfabetizadas, passando de 56% para 66% entre 2023 e 2025, é, indiscutivelmente, uma boa notícia. No entanto, a situação ainda é alarmante, já que 34% dos alunos permanecem sem alfabetização. Além disso, a calibração dos instrumentos de avaliação da aprendizagem está aquém do ideal, tanto nos exames nacionais quanto nos estaduais.
A realidade das avaliações internacionais em que o Brasil participa também evidência uma grande disparidade. No Pisa, a avaliação mais renomada voltada a alunos de 15 anos, nenhuma unidade da federação brasileira se aproxima dos padrões de países desenvolvidos. Mesmo as redes que se destacam em avaliações nacionais apresentam resultados decepcionantes ao serem submetidas ao exame do Pisa.
O Avanço no Ensino Fundamental e os Desafios Persistentes
De acordo com informações do Anuário Brasileiro da Educação Básica, a fase do primeiro ciclo do ensino fundamental é onde o Brasil tem observado os maiores progressos. Em 2023, 60% das crianças do quinto ano apresentaram aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e 49% em Matemática, em comparação a 39% e 19%, respectivamente, em 1995. O avanço é inegável; contudo, os resultados ainda são modestos se comparados ao cenário internacional, conforme os dados do Pirls, que avalia a leitura de alunos do 4º ano do ensino fundamental.
Seria uma ingenuidade esperar que, especialmente em um ano eleitoral, os governos sejam comedidos ao destacar resultados positivos. Existem políticas nacionais e estaduais que estão avançando na direção correta e, em meio a outras que falham em obter resultados, é fundamental reconhecer esses progressos como forma de valorizar o esforço de alunos e educadores. Entretanto, a exaltação exagerada não deve comprometer um diagnóstico realista diante dos grandes desafios que ainda perduram no sistema educacional.

