Celebração dos 50 Anos da Casa da Cultura
A Casa da Cultura de Pernambuco, um ícone da memória e da difusão cultural no estado, comemora 50 anos de atividades nesta terça-feira (14/4). Com mais de 100 lojas de arte e artesanato, um teatro, um anfiteatro e painéis do renomado artista Cícero Dias, o espaço se consolidou como um centro vital para a cultura recifense e uma atração turística importante, gerido pelo Governo do Estado através da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).
A programação festiva se estenderá por todo o mês de abril, apresentando uma variedade de ações, incluindo exposições, apresentações artísticas e oficinas. No dia do aniversário, das 9h às 16h, haverá uma feira com produtos elaborados por jovens da Fundação de Atendimento Socioeducativo de Pernambuco (Funase), além da peça teatral “Vozes e Memórias nos 50 Anos da Casa da Cultura”, dirigida por Marcelo Maracá, marcada para as 16h, com participação de alunos da EREM Oliveira Lima. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.
Programação Diversificada e Inclusiva
Entre os eventos programados, destacam-se as visitas mediadas entre 13 e 16 de abril, que devem ser agendadas previamente; uma demonstração de artesanato com jovens da Funase no dia 16, das 15h às 17h; e uma vivência de dança com Neguinho do Frevo no dia 18, das 11h às 12h, em celebração ao ciclo junino. Além disso, no dia 22 de abril, às 17h, será exibido um mini documentário sobre os 50 anos da Casa, com a presença de representantes da Fundarpe, seguido de uma apresentação itinerante sobre a preservação do patrimônio cultural às 16h no mesmo dia.
A agenda também inclui exposições como a mostra do artista Isac Vieira, de 15 a 24 de abril, e a exposição de arte naïf de Leandro Loureiro na Galeria Régis, que ficará em cartaz de 15 a 30 de abril. A instalação “Mesa Posta: 50 anos de artesanato na Casa da Cultura” estará disponível de 14 a 24 de abril, acompanhada de visitas guiadas e ações educativas em parceria com instituições como a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e o projeto Jovens em Ação (SEPODE).
Impacto Cultural e Social da Casa
A Casa da Cultura é considerada um símbolo da ressignificação do patrimônio pernambucano. Em palavras de Lidiane Pessoa, vice-presidente da Fundarpe em exercício, “o espaço, que já abrigou um presídio, hoje é um lugar de encontro e valorização da cultura local, reafirmando seu papel como um equipamento cultural vivo, que conecta tradições e contemporaneidade”. Essa celebração marca não apenas o aniversário, mas também o esforço contínuo de todos que trabalham para manter a Casa como um espaço vibrante no coração de Recife.
Localizada próxima a outros marcos históricos da cidade, como o Museu do Trem e a Ponte 6 de Março, a Casa da Cultura não só é um centro de comércio de artesanato, mas também é palco de eventos culturais que atraem visitantes de toda a região. A programação inclui ações da Fundarpe, que abrangem diversos ciclos festivos, além de cursos e oficinas focados em técnicas como renda renascença e upcycling.
Envolvimento da Comunidade e Sustentabilidade
A gestora da Casa da Cultura, Jaqueline Araújo, destaca que os eventos, tanto os promovidos pela Fundarpe quanto aqueles realizados por agentes externos, são cruciais para a formação de plateia e para a promoção do espaço como um local de cultura e lazer para toda a população pernambucana. Ela aponta também que as visitas escolares são frequentes, com mais de 500 alunos recebidos em um único ano. A Casa ainda abriga uma feira agroecológica todas as sextas-feiras, das 7h ao meio-dia.
O fluxo constante de turistas, especialmente durante a temporada de cruzeiros de outubro a abril, contribui para a vitalidade econômica da Casa. Entre os lojistas, Magali Costa, que administra a Galeria Régis com o marido, explica: “Esse espaço foi do meu pai e agora cuidamos dele juntos. É uma loja com valor sentimental, mas também é financeiramente viável”. A Galeria, que opera desde 1976, é um exemplo de como a Casa da Cultura fomenta o comércio local e a cultura.
História e Transformação da Casa
A Casa da Cultura Luiz Gonzaga, anteriormente conhecida como Casa de Detenção do Recife, possui uma rica história. Projetada pelo arquiteto José Mamede Alves Ferreira, a construção foi inaugurada em 1855 e se tornou um espaço de reconhecimento histórico. Após fechar como presídio em 1973, a transformação para um centro cultural foi idealizada pelo artista plástico Francisco Brennand durante a gestão de Miguel Arraes. Retomada posteriormente, a Casa da Cultura foi oficialmente inaugurada como tal em 14 de abril de 1976, após um cuidadoso processo de restauração.
Hoje, as celas originais abrigam lojas e espaços culturais, e a Casa foi tombada como Patrimônio do Estado em 1980, reconhecendo sua importância cultural e histórica. Com painéis renomados, como o painel Frei Caneca de Cícero Dias, a Casa da Cultura permanece como um espaço de conexão, criatividade e valorização da arte pernambucana.

