Decisão do STF e Implicações Legais
A Secretaria de Estado de Polícia Penal do Rio de Janeiro notificou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que já designou a unidade prisional para onde Monique Medeiros será transferida. Porém, a pasta optou por não revelar o local por questões de segurança. Até o fim do domingo (19), Monique ainda não havia sido registrada no sistema penitenciário.
Essa comunicação ao STF se dá em resposta à ordem do ministro Gilmar Mendes, que determinou a reintegração imediata de Monique à prisão e estabeleceu um prazo para que o estado informasse o local de sua detenção.
A medida foi solicitada pela defesa de Leniel Borel, pai de Henry, em busca de assegurar a proteção das testemunhas e a regularidade no andamento do processo.
Leniel Borel, em uma manifestação pública, ressaltou que essa decisão é um marco na luta por justiça. Ele frisou que o recurso foi essencial diante dos riscos identificados por sua família. “Essa decisão demonstra que lutar e não desistir nunca foi em vão. O recurso não foi apenas uma questão jurídica, mas um ato de coragem e amor. Era imprescindível, pois a soltura colocava em risco não só o julgamento, mas também as testemunhas e a própria busca pela verdade”, declarou Leniel.
Embargos de Declaração e Riscos Envolvidos
A defesa de Monique, por sua vez, pediu esclarecimentos ao relator dos embargos de declaração, questionando a legalidade da decisão e as condições de cumprimento da pena. Os advogados também solicitaram que fosse definida a unidade prisional, afirmando que a integridade física da acusada poderia estar em risco.
No dia 17 de novembro, o ministro Gilmar Mendes havia decidido restabelecer a prisão preventiva de Monique, com base em manifestação da Procuradoria-Geral da República, em ação movida pela assistência de acusação.
A decisão anterior que havia revogado a prisão de Monique em março deste ano foi fundamentada na alegação de excesso de prazo. Contudo, Mendes entendeu que o postponement do júri resultou de uma manobra da defesa de Jairo Souza Santos, corréu no caso, que abandonou o plenário durante o processo.
De acordo com Mendes, a soltura de Monique contrariava decisões anteriores da Corte que defendiam que a prisão era necessária para garantir a ordem pública e o bom andamento do processo legal.
Contexto do Caso Henry Borel
A morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021, gerou grande comoção em todo o país. Monique Medeiros e Jairo Souza Santos foram acusados e enfrentarão um júri popular no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
As investigações indicam que o menino chegou ao hospital sem vida. A perícia descartou a possibilidade de um acidente doméstico e identificou diversas lesões em seu corpo. O laudo do Instituto Médico Legal atribuiu a causa da morte a uma hemorragia interna e laceração hepática.
Mensagens obtidas durante a investigação revelaram que Henry sofria agressões regulares e que Monique foi informada sobre essas situações antes dos trágicos eventos. A polícia concluiu que as violências ocorreram com pleno conhecimento da mãe.

