Prefeitura de Nova Iguaçu aciona Ibama por danos em rede de drenagem
Durante as obras de ampliação da Rodovia Presidente Dutra, realizadas pela concessionária Ecovias Rio Minas, técnicos da Prefeitura de Nova Iguaçu identificaram danos significativos na rede de drenagem local. Em vez de substituir as tubulações comprometidas, foram feitas adaptações improvisadas, popularmente chamadas de “bacalhaus”, que comprometeram a infraestrutura existente. O município acionou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável pelo licenciamento ambiental da obra, para que medidas sejam adotadas e os danos reparados.
Impactos da obra na drenagem e o risco de alagamentos
Os problemas foram detectados no bairro Rancho Novo, em pontos entre a Rua Luís Sobral, a Avenida Nilo Peçanha e a Rua Panamá. A ampliação da rodovia, orçada em R$ 14 bilhões, deveria incluir soluções de drenagem compatíveis com o crescimento urbano da cidade, que se expandiu e se adensou nas últimas décadas. A Prefeitura destaca que a ampliação não pode se limitar à construção das novas pistas, mas deve garantir galerias e canais capazes de conduzir a água da chuva até os cursos d’água naturais, evitando represamentos e enchentes. Até o momento, essas adequações técnicas foram ignoradas pela concessionária, que avançou nas obras sem apresentar os projetos necessários.
“Ninguém questiona a importância da ampliação da Dutra. É uma obra necessária e que Nova Iguaçu quer ver pronta. O que não dá é modernizar a rodovia e não olhar para a cidade que cresceu ao redor dela. A drenagem também precisa acompanhar essa transformação. E é ainda mais preocupante quando, além de não termos as adequações que estamos cobrando, encontramos tubulações danificadas pela própria obra e remendadas”, afirmou o prefeito Dudu Reina.
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Pressão da Prefeitura e avanços judiciais
Desde o início das intervenções, financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Prefeitura tem realizado vistorias constantes, revisado projetos e cobrado soluções para evitar impactos negativos no sistema de drenagem. Em setembro de 2025, durante reunião com Ecovias Rio Minas e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a concessionária se comprometeu a apresentar, em até 90 dias, os projetos técnicos para ampliar a rede de drenagem, prazo que expirou sem entrega do material.
Na sequência, em fevereiro deste ano, nova vistoria municipal constatou avanço das obras para a fase de pavimentação, ainda sem as intervenções adequadas na drenagem demonstradas. Diante da inércia da concessionária e da ANTT, a Prefeitura recorreu à Justiça solicitando a paralisação das obras até que os projetos técnicos necessários sejam apresentados e aprovados. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro acompanha o caso.
Solicitação formal ao Ibama e próximos passos
Com a identificação dos danos na rede existente, a Prefeitura encaminhou ao Ibama o vídeo com registros das irregularidades e solicitou que o órgão ambiental tome as providências para garantir a reparação dos trechos afetados. O objetivo é assegurar que a ampliação da Dutra não agrave os riscos de alagamento na cidade, respeitando as normas ambientais e urbanísticas. O desenrolar dessa situação depende da atuação conjunta entre Prefeitura, Ibama, ANTT e concessionária, com impacto direto na infraestrutura urbana e na qualidade de vida da população de Nova Iguaçu.

