Investimento social corporativo ganha força no Rio de Janeiro
O Rio de Janeiro recebeu R$ 93 milhões em investimento social corporativo em 2025, conforme aponta o levantamento da Comunitas na pesquisa anual Bisc (Benchmarking do Investimento Social Corporativo). Esse valor representa uma parcela significativa do total investido no Brasil, que atingiu R$ 6,2 bilhões em 2024. O estado fluminense está presente com projetos em 48% dos seus municípios (35 ao todo), ficando atrás apenas de São Paulo, que lidera com 74%.
Foco na educação e no desenvolvimento territorial
Segundo o Censo Gife, a educação continua sendo o setor mais beneficiado pelos aportes privados. Contudo, a atenção das empresas tem se voltado para o desenvolvimento local e comunitário, que cresceu 36% desde 2022, totalizando R$ 247 milhões investidos em todo o país. No Rio, onde mais de 2,1 milhões de pessoas vivem em favelas — cerca de 13,3% da população estadual —, grandes companhias têm avançado da filantropia pontual para projetos estruturados que valorizam territórios e suas comunidades.
Projetos que conectam empresas e territórios vulneráveis
O desafio está em garantir que esse investimento alcance as áreas mais vulneráveis, escolhendo projetos que gerem mudanças reais para moradores. A Vibra, por exemplo, lançou o Cidade iNova 2030, programa para as regiões de Cidade Nova, Estácio, Complexo do São Carlos e arredores, onde está sua sede. Até agora, foram destinados cerca de R$ 4 milhões para 13 projetos em parceria com oito organizações sociais. Essas ações impactam diretamente 2,3 mil crianças e jovens em escolas públicas, além de 700 participantes de atividades culturais e esportivas e dez pequenos empreendedores locais.
“Nosso ponto de partida foi entender que a empresa não deve atuar de forma desconectada do território onde está presente. Por isso, a escolha dos projetos combina escuta local, identificação de necessidades e valorização das vocações regionais”, explica Aspen Andersen, vice-presidente de Gente, Tecnologia e ESG da Vibra.
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Fundação BB e Petrobras investem em inclusão e cultura
A Fundação BB já investiu mais de R$ 27,3 milhões no Rio em uma década, beneficiando 21 mil pessoas. Seu maior projeto atual é a revitalização da Casa da Tia Ciata, na Pequena África, com aporte de R$ 2,9 milhões para reforma estrutural, instalação de energia solar e um programa cultural permanente com rodas de samba, exposições e oficinas educativas. Além disso, a fundação destinou R$ 1,3 milhão para o fortalecimento de mulheres negras, promovendo inclusão produtiva, geração de renda, saúde e letramento racial. Também investe em cozinhas solidárias, com R$ 300 mil aplicados no Rio e em Niterói.
“Nas periferias urbanas, vemos soluções que fortalecem vínculos comunitários e ampliam oportunidades. Fortalecer essas experiências é fundamental para promover inclusão”, comenta Gilson Lima, diretor executivo de Desenvolvimento Social da Fundação BB.
A Petrobras planeja investir mais de R$ 340 milhões até 2030 em mais de 200 comunidades de 34 municípios do estado, com parcerias de até 20 anos. Entre essas, destacam-se iniciativas com o Centro de Referência Esportiva da Mangueira, o Unicirco e o Neaca – Tecendo Redes, além de seleções públicas regulares para ampliar seu portfólio de parceiros.
Instituto Cury e L’Oréal apostam em educação e geração de renda
Na Zona Portuária do Rio, o Instituto Cury mantém cinco projetos ativos que promovem educação para geração de trabalho e renda, além do desenvolvimento biopsicossocial por meio do esporte. Em 2025, foram investidos R$ 1,9 milhão nessas iniciativas.
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A L’Oréal, com nove projetos no Brasil, impactou cerca de 13 mil mulheres. No Rio, o programa Escreva Seu Futuro, realizado em parceria com a Lancôme, Redes da Maré e UFRJ, já alfabetizou mais de cem mulheres no Complexo da Maré, região onde mais de 3 mil moradoras não sabiam ler ou escrever. A empresa também atua na Pequena África, em colaboração com instituições locais, por meio do Fundo L’Oréal para Mulheres, criado em 2020. Até 2030, a companhia pretende investir 130 milhões de euros (equivalente a R$ 782 milhões) em projetos sociais no mundo.
Instituto Heineken mobiliza jovens e catadores
Desde 2022, o Instituto Heineken já mobilizou mais de R$ 15 milhões e beneficiou 50 mil pessoas no Brasil, incluindo jovens, catadores e vendedores ambulantes no Rio. Um destaque é o Cri.Ativos da Favela, projeto realizado com a Central Única das Favelas e a Favela Filmes, que formou 290 jovens em audiovisual e tecnologia.
Esses exemplos mostram que o investimento social privado no Rio de Janeiro está se consolidando como uma força capaz de transformar territórios, promovendo inclusão, geração de oportunidades e melhoria da qualidade de vida para comunidades vulneráveis.

