Encontros literários com Vanessa Yetu no Rio de Janeiro
A autora cabo-verdiana Vanessa Yetu aproxima seus leitores brasileiros por meio do livro Velório de moscas sobre a carne (Pallas Editora, 144 páginas, R$ 52). Esta obra inaugura a Coleção Múcua, dedicada à literatura contemporânea africana, sob curadoria do escritor angolano Ondjaki. Composta por quatro narrativas, o livro aborda as complexidades da condição humana, navegando por temas como identidade, memória e pertencimento.
Uma escrita marcada pela intensidade e diversidade geográfica
Vanessa Yetu constrói personagens que vivem conflitos pessoais em meio a mudanças sociais e culturais. Sua prosa é conhecida pelas imagens fortes, humor sutil e toque melancólico. As histórias refletem experiências vividas em Cabo Verde, Angola, Moçambique e Portugal — lugares que fazem parte da trajetória da autora.
Agenda cultural no Rio de Janeiro
Entre os dias 5 e 9 de novembro, Vanessa Yetu participará de eventos literários no Rio de Janeiro. A programação começa na FLIM – Língua ao Mar, em Maricá, no dia 5 às 19h, ao lado de Énia Lipanga e Kalaf Epalanga, com mediação de Aza Njeri. Em seguida, no dia 6, às 11h, a escritora estará na Universidade Federal Fluminense (UFF) para um encontro com leitores.
No sábado, dia 7, às 13h30, a autora participará da Primavera dos Livros, realizada no Museu de Arte do Rio (MAR), em bate-papo com Bianca Ramoneda e Felipe Charbel. A série de encontros encerra na segunda-feira, 9 de novembro, às 11h, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Fundão, com a participação de Carmen Lucia Tindó, Norma Lino e Vera Duarte.
Curadoria e singularidade da escrita de Vanessa Yetu
Na apresentação de Velório de moscas sobre a carne, Ondjaki destaca o olhar singular da escritora. Segundo ele, a escrita de Vanessa funciona como uma lente que revela paisagens humanas complexas, valorizando os silêncios e gestos dos personagens. Seus contos expõem a beleza imperfeita e por vezes sombria da existência humana, mergulhando nas fragilidades e nas nuances das relações interpessoais.
O significado da Coleção Múcua e a trajetória da autora
O nome da coleção, Múcua, remete ao fruto do baobá, árvore simbólica de ancestralidade e vida, e reflete a intenção de criar diálogos literários entre as margens do Atlântico. A proposta é apresentar ao público brasileiro uma seleção atual da literatura africana.
Vanessa Yetu nasceu em 1974 na Ilha de Santiago, Cabo Verde. Passou parte da infância no país natal e concluiu o ensino médio em Moçambique. Formou-se em Economia em Portugal e vive em Angola desde 2004. Durante anos, conciliou sua atividade profissional com a escrita, colaborando em suplementos literários. Em 2014, publicou Não nos impõem as memórias, que nos permitem pertencer.
O pseudônimo Yetu, que significa “nosso” nas línguas umbundu e kimbundu, reflete a visão da autora de que escrever é um ato coletivo, que ultrapassa a solidão individual.

