Uma nova forma de ver o MAC e a Baía de Guanabara
Quem visita o Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói está acostumado a contemplar o edifício projetado por Oscar Niemeyer. Mas e se a experiência fosse justamente o oposto: não ver o museu? É essa a provocação da instalação “Teto — De onde não se vê quando se está”, criada pelo arquiteto Pedro Varella, que retorna ao espaço cultural a partir deste sábado. O público é convidado a subir até um ponto normalmente inacessível, o teto do MAC, para enxergar a Baía de Guanabara sob um novo prisma, onde a arquitetura icônica deixa de ser o foco da paisagem.
Da concepção à reabertura: um projeto que dialoga com a história do MAC
Desenvolvida pelo escritório Gru.a, liderado por Varella, a obra foi apresentada pela primeira vez em 2017, quando conquistou o 3º Prêmio Reynaldo Roels Jr., uma iniciativa conjunta do MAC e da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Após nove anos, a instalação retorna para integrar a programação dos 30 anos do museu, reforçando o diálogo entre arquitetura, arte e paisagem.
Para acessar a cobertura, os visitantes sobem por uma escada tubular instalada na rampa de acesso ao pavimento das exposições. Essa estrutura remete aos equipamentos usados por alpinistas que fazem a limpeza das janelas do prédio. Lá de cima, a superfície que, vista de baixo, parece côncava, revela-se convexa. Essa mudança de perspectiva faz com que os visitantes percam a noção dos contornos e da forma original do museu.
“O projeto oferece ao público a experiência de estar dentro deste marco arquitetônico e, ao mesmo tempo, perder sua imagem de vista”, comenta Varella.
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Fonte: reportersorocaba.com.br
Resgatando a relação entre arquitetura e paisagem
A intervenção também reconecta o espaço com sua paisagem natural. Antes da inauguração do MAC, em 1996, o local era ocupado pelo Mirante da Boa Viagem, um promontório com vista privilegiada para as águas da Baía de Guanabara. Subindo ao teto, o visitante observa a entrada da baía sem o filtro habitual da arquitetura de Niemeyer, provocando uma reflexão sobre a relação entre o edifício, seu entorno e como a arquitetura molda nossa percepção da paisagem.
30 anos do MAC: exposições e programação especial
Além da instalação, a celebração dos 30 anos do MAC traz quatro exposições distribuídas pelo museu. No Salão Central, “MAC monumental” reúne cerca de 130 obras de grande formato, muitas delas inéditas em exibição há anos, das coleções MAC Niterói e João Sattamini. No mezanino, “MAC panorama” revisita a trajetória do museu com trabalhos de artistas como Adriana Varejão, Flávio-Shiró, Victor Arruda e Márcia X.
O público infantil é contemplado com “MAC para crianças”, que propõe uma aproximação lúdica com a arte por meio de brincadeiras, desenhos e experimentações. Já “Sentir pra ver” é uma exposição multissensorial que oferece reproduções táteis, maquetes e audiodescrição, ampliando o acesso às obras por diferentes sentidos.
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Fonte: soupetrolina.com.br
Visitação e orientações para o público
Victor De Wolf, diretor-geral do MAC, destaca que “o museu é parte fundamental da história cultural de Niterói e celebrar seus 30 anos é reconhecer seu papel na aproximação da população com a arte contemporânea”.
A visitação à instalação “Teto” será organizada em grupos de 15 pessoas, com sessões de 15 minutos e intervalos de 10 minutos entre as subidas. As senhas serão distribuídas no museu em quatro horários — 9h30, 11h30, 13h30 e 15h30 — por ordem de chegada, sem possibilidade de reserva antecipada. A primeira subida começa às 10h e a última às 17h20.
Por questões de segurança, a atividade não ocorrerá em dias de chuva ou ventos fortes e pode ser interrompida por condições climáticas adversas. A instalação fica em cartaz até o dia 22, aniversário de Niterói, funcionando de terça a domingo. O acesso é permitido a visitantes a partir de 12 anos, sendo que menores de 16 devem estar acompanhados por um responsável.

