Raízes e trajetória de Fabinho na música
Fabinho iniciou sua relação com a música muito antes dos grandes palcos e dos milhares de fãs que hoje acompanham o Pagobinho pelo Brasil. Nascido e criado no Baldeador, em Niterói, o cantor cresceu em meio a rodas de samba, brincadeiras de rua e instrumentos que despertaram sua paixão ainda na infância. Antes de transformar esse amor em profissão, precisou equilibrar o sonho com a rotina de trabalho como office boy e motoboy, além das apresentações em bares locais. Neste domingo (8), às 15h, ele retorna à sua terra natal para liderar a primeira edição do Pagobinho no Caminho Niemeyer, com expectativa de público em torno de 15 mil pessoas.
Convidados e memórias familiares no samba
O evento contará com participações de artistas consagrados, como Marvvila, Revelação, Caju pra Baixo, MC Maneirinho, Renan Oliveira, Gamadinho e Nego da Moé. A ligação de Fabinho com o samba tem raízes profundas na família. Seu pai, que faleceu quando ele tinha apenas 7 anos, deixou lembranças queridas das rodas de samba que frequentavam juntos. A convivência com a mãe também o aproximou desse ambiente, que descreve como uma grande família. Os bairros Caramujo e Baldeador permanecem presentes em sua trajetória e identidade.
— Minha infância foi simples, mas muito feliz. Venho de origem humilde e, apesar das dificuldades, isso moldou quem sou hoje — compartilha Fabinho.
Autodidata e a evolução musical
Sem nunca ter recebido aulas formais, Fabinho aprendeu sozinho a tocar cavaquinho, violão, banjo, pandeiro, tantã, repique, piano e surdo. Para dominar o surdo, passava horas em casa acompanhando o grupo Revelação. Antes de assumir os vocais, dedicou cerca de dez anos como instrumentista em bares, rodas de samba e grupos de pagode nas cidades de Niterói e São Gonçalo.
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Primeiros passos e desafios profissionais
Aos 16 anos, Fabinho iniciou sua carreira profissional. Os cachês eram modestos — R$ 20, e em algumas ocasiões, a remuneração era em forma de peixe. Com 18 anos, comprou uma moto e passou a fazer entregas de marmitas, além de trabalhar como office boy para ajudar no sustento da família. A chegada de sua primeira filha, Ísis, intensificou a rotina: após o trabalho diurno, cuidava da menina enquanto sua esposa, Thainá, trabalhava; à noite, seguia para os pagodes.
Reconhecimento e consolidação da carreira
O ponto de virada ocorreu em uma apresentação em Campos dos Goytacazes, onde o público lotou o local e gritou seu nome. Após o show, foi cercado por fãs que reconheciam seu talento. O reconhecimento de nomes como Zeca Pagodinho, Thiaguinho e Belo também marcou sua trajetória. Em 2022, Fabinho lançou oficialmente a carreira solo com o audiovisual “Fabinho da rua”, que contou com participações de Mr. Dan, Marvvila, Revelação e Caju pra Baixo.
No ano seguinte, criou o Pagobinho, inicialmente para arrecadar fundos para novas gravações. Em apenas seis meses, o projeto atingiu um milhão de visualizações, tornando-se uma das marcas mais fortes de sua carreira. Uma edição especial realizada em 2025 no Shopping São Gonçalo reuniu cerca de 12 mil pessoas, abrindo caminho para o projeto “Bora viver”, gravado com Mr. Dan.
Expansão e impacto do Pagobinho
Hoje, Fabinho acumula mais de 120 milhões de visualizações no YouTube e ultrapassa um milhão de ouvintes mensais no Spotify. O Pagobinho já passou por cidades como Salvador, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte. Em agosto, reuniu 20 mil pessoas na capital baiana, estabelecendo recorde de público para o evento.
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Fonte: soudebh.com.br
Com o samba e o pagode como base, o projeto promove encontros entre diferentes ritmos e gerações. Artistas como Léo Santana, Yan, Kamisa 10 e Tá na Mente já participaram das edições. Marvvila destaca a dedicação e a paixão de Fabinho pela música.
— Fabinho é um artista que admiro muito. Tive a alegria de convidá-lo para cantar comigo em “ABC do sofrimento”. É gratificante fazer parte de uma geração que conta com pessoas como ele, que amam verdadeiramente a música e somam ao movimento. Estar ao lado dele nesse primeiro Pagobinho em Niterói, onde tudo começou para ele, torna esse momento ainda mais especial — comenta Marvvila.
Evento especial em Niterói com palco 360 graus
A edição inaugural em Niterói terá um palco em formato 360 graus, permitindo que Fabinho fique próximo do público em todos os lados. Parte de sua família permanece na cidade e em São Gonçalo, junto a pessoas que acompanharam seus primeiros passos na música.
— Trazer o Pagobinho para o Caminho Niemeyer é resgatar um projeto que carrega meu nome e tudo que construí até aqui. Pensar que comecei cantando por R$ 20 ou por um peixe e agora vivo esse momento na minha cidade é muito emocionante — afirma o cantor.

