A Visão Crítica da The Economist sobre Lula
A revista britânica The Economist divulgou um editorial contundente nesta terça-feira, sugerindo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, não deveria concorrer à reeleição no próximo ano. O texto argumenta que o Brasil merece opções mais qualificadas, mesmo com a recente demonstração de resiliência das instituições democráticas no país. A análise ressalta que Lula, ao completar 80 anos em outubro, deve repensar sua candidatura a 2026.
Um dos principais pontos levantados pela publicação é a questão da idade do presidente. A revista expõe que, apesar de seu talento político, a permanência de alguém tão idoso no poder representa um risco considerável. “Carisma não é escudo contra o declínio cognitivo”, afirma a The Economist, fazendo uma comparação com Joe Biden, ex-presidente dos Estados Unidos, que optou por se retirar da corrida eleitoral meses antes da votação.
O editorial sugere que Lula poderia consolidar seu legado ao anunciar sua desistência, algo que, segundo a análise, Biden não conseguiu realizar. A revista critica, ainda, as políticas econômicas do governo Lula, chamando-as de medíocres. Embora o Brasil tenha presenciado um crescimento econômico expressivo, as ações do governo estão focadas em programas de assistência social, enquanto as medidas de arrecadação não incentivam o setor empresarial. Contudo, a publicação reconhece que Lula não enfrenta adversários significativos na esquerda ou no centro político, o que pode facilitar sua posição atual.
Críticas ao Candidato de Jair Bolsonaro
Além de Lula, a The Economist também volta suas atenções para o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua indicação do senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato do PL à presidência. A revista classifica Flávio como “impopular e ineficaz”, destacando que ele teria grandes dificuldades em uma disputa direta contra Lula. Outras figuras, incluindo governadores com melhores credenciais, estão sendo cogitadas para a corrida presidencial. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, é mencionado como um potencial candidato que poderia se destacar.
A publicação sugere que Tarcísio deveria demonstrar coragem e se lançar na disputa, contrastando com o legado dos Bolsonaros ao ser mais ponderado e democrático. Entretanto, o editorial expressa pessimismo quanto à possibilidade de Lula desistir da corrida. A The Economist sugere que, se os partidos de direita forem estratégicos, poderiam considerar unir forças em torno de um candidato que tenha a capacidade de superar a polarização que marcou os mandatos de Lula e Bolsonaro.
Uma Proposta para o Futuro do Brasil
A revista conclui defendendo o apoio a uma figura de centro-direita que busque uma redução da burocracia, mas que ao mesmo tempo preserve as florestas tropicais e respeite as liberdades civis. Essa liderança, segundo a The Economist, poderia não apenas vencer, mas também administrar o país de maneira eficaz. O editorial termina ressaltando que o Brasil tem muito em jogo nas eleições de 2026 e que o futuro político é, no mínimo, incerto.

