Um Cenário Político em Transformação
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O governador Cláudio Castro (PL) planeja sua candidatura ao Senado, enquanto o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), enfrenta um afastamento que desencadeia uma eleição indireta inusitada e incerta para o comando do Palácio Guanabara, prevista para o primeiro semestre de 2026.
Esse novo panorama coloca o governador em rota de colisão com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República. Castro e Bolsonaro, junto com o deputado Altineu Côrtes, presidente do PL-RJ, devem definir até fevereiro a nova estratégia a ser empregada. Essa indefinição é um reflexo das manobras políticas adotadas no primeiro semestre do ano passado por Castro, que desejava priorizar Bacellar como seu sucessor.
A crise na linha sucessória começou em maio de 2022, quando o governador persuadiu o ex-vice-governador Thiago Pampolha a deixar o cargo para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), abrindo espaço para Bacellar na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). O plano original previa que, após renunciar, Castro poderia concorrer ao Senado, enquanto Bacellar, com apoio significativo na Alerj, seria eleito como governador interino, se preparando para uma reeleição em outubro.
No entanto, o afastamento de Bacellar, determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), lançou dúvidas sobre a escolha do “governador-tampão”. Bacellar foi afastado devido a suspeitas de vazamento de informações relacionadas à prisão do ex-deputado TH Joias, vinculado ao Comando Vermelho, embora ele negue as acusações.
As tensões aumentaram com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, que pretende garantir uma das duas vagas da chapa para a reeleição, enquanto a outra permanece em disputa acirrada, inclusive com a participação de Cláudio Castro. Caso Bolsonaro não concorra, a candidatura de Castro ganha um espaço considerável.
O senador também busca indicar um nome para a disputa de outubro, visando construir uma base forte no Rio de Janeiro para sua futura candidatura presidencial.
O PL se comprometeu a realizar pesquisas para avaliar potenciais candidatos ao cargo. Dentre os nomes cogitados, está o secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), filho do capitão Nelson Ruas, prefeito de São Gonçalo, um dos maiores colégios eleitorais do estado. Além dele, o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, que ganhou destaque após uma operação na zona norte do Rio que resultou em 122 mortes, incluindo cinco policiais, também está na lista. O prefeito reeleito de Itaboraí, Marcelo Dellaroli (PL), com 93,79% dos votos válidos, também é considerado uma opção.
Outro nome em avaliação é o de Rodolfo Landim, ex-presidente do Flamengo, que pode trazer uma nova dinâmica para a política estadual.
A sigla União Brasil também está avaliando a viabilidade do nome do prefeito de Belford Roxo, Marcelo Canella, mas sua nomeação é vista com cautela por membros do PL, devido a possíveis ligações de seus secretários com grupos de milícia durante sua gestão.
A incerteza sobre os candidatos se agrava pela situação jurídica que permeia a política fluminense. Aliados de Bacellar manifestam preocupações quanto aos desdobramentos das investigações iniciadas a partir dos dados do celular do presidente da Alerj.
Adicionalmente, a situação de Cláudio Castro é complexa, pois enfrenta um processo do Ministério Público Eleitoral que pleiteia sua cassação e inelegibilidade devido ao caso das “folhas secretas” de pagamento de fundações estaduais. Esse caso está em tramitação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde já há um voto pela condenação do governador da ministra Isabel Gallotti.
O julgamento foi suspenso após um pedido de vista do ministro Antônio Carlos, que solicitou a prorrogação da análise. Nos bastidores, há uma expectativa de que ele libere o processo ainda no início de fevereiro. Caso o governador seja cassado, a Constituição estadual exige a realização de uma eleição direta, o que torna a possibilidade de uma renúncia antes do julgamento uma opção não descartada, especialmente se não houver garantias de que a análise do caso será adiada.
Por fim, a Alerj precisará estabelecer as diretrizes para a eleição, visto que a substituição do governo em situações de vacância dos cargos ainda carece de regulamentação.

