Eduardo Paes e sua Pré-Candidatura ao Governo do Rio de Janeiro
No último sábado (17), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, fez uma declaração que repercutiu no cenário político fluminense. Durante uma visita a Santo Antônio de Pádua, ele reconheceu publicamente sua pré-candidatura ao governo do estado. Essa é a primeira vez que Paes admite oficialmente sua intenção de concorrer, após meses de especulações e dúvidas sobre sua permanência na prefeitura. Anteriormente, ele havia negado qualquer possibilidade de deixar o cargo para autoproclamar-se candidato.
Na segunda-feira, durante a primeira reunião do ano com seu secretariado, Paes reafirmou: “Sou pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro”. Ele ressaltou a importância do diálogo com várias lideranças políticas do estado, mencionando que sua posição como prefeito lhe proporciona uma conexão especial com seus colegas. “Acho que tem uma identidade natural com os prefeitos, por eu estar na mesma posição [que eles]. A gente percebe essa angústia de um sistema político que tem feito muito mal ao Estado”, comentou Paes aos repórteres presentes.
O prefeito também destacou a necessidade de um novo tipo de liderança no estado: “O Estado carece de liderança política, de gestão, de autoridade, de conduta correta na hora de produzir as políticas públicas”, afirmou. Ele reconheceu que a ideia de concorrer ao governo já era uma possibilidade que o acompanhava há algum tempo e que a decisão está “praticamente tomada”, embora tenha se comprometido a oficializá-la após o Carnaval.
Histórico de Candidaturas e Desafios Futuros
Essa será a terceira vez que Eduardo Paes tenta a vaga no Executivo fluminense. Em sua primeira tentativa, em 2006, ele obteve apenas 5,3% dos votos, terminando em quinto lugar. A segunda tentativa ocorreu em 2018, quando avançou até o segundo turno, mas foi derrotado por Wilson Witzel. Desde o início de seu quarto mandato como prefeito, um feito inédito em sua trajetória, Paes tem se movimentado pelo estado, buscando alianças e apoio para sua pré-candidatura.
Em Santo Antônio de Pádua, onde anunciava sua visita, um comentário feito pelo prefeito da cidade, Paulinho da Refrigeração (MDB), sobre Paes se dedicando a visitar cidades do interior, foi prontamente corrigido. “É mentira, não estou fazendo trabalho de visitar cidades do interior. Eu estou fazendo pré-campanha, porque quero os votos para governador”, afirmou Paes, deixando claro suas intenções eleitorais.
A Estratégia e o Discurso da Pré-Candidatura
Ao comunicar sua pré-candidatura, Paes utilizou argumentos que seus aliados já tinham preparado para justificar sua decisão de deixar a prefeitura, contradizendo uma promessa feita em 2024 de completar seu mandato. Est estrategistas e apoiadores da gestão haviam alinhado um discurso focado em quatro pontos principais: a falta de liderança política no Rio, a convocação da população para que ele seja candidato, a importância de ter um vice que continue seu projeto na prefeitura e a necessidade de abordar a crise de segurança pública.
“Vai chegando o momento [de ser candidato ao governo], a partir de tanta conversa, de tanta convocação. Muita gente me pedindo [para ser candidato]. Eu percebo isso do eleitor na rua”, afirmou, sublinhando a pressão que sente por parte do eleitorado. O prefeito ressaltou que sua intenção é olhar para o futuro do estado e assegurar que os cidadãos cariocas sejam bem cuidados. Ele também destacou as dificuldades enfrentadas pela região metropolitana e pelo interior do estado, citando a falta de políticas públicas adequadas.
Considerações sobre Segurança e Alianças
Em relação à segurança pública, Paes afirmou que há soluções viáveis para os problemas enfrentados no estado, mas criticou abordagens simplistas e os discursos de alguns governantes, mencionando indiretamente a postura de Cláudio Castro, atual governador. “A segurança pública não é um tema que se discute entre valentões”, disse, enfatizando a necessidade de um comando forte e responsável por parte do governador.
Além de sua pré-candidatura, Paes também reiterou seu apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, deixou claro que buscará uma aliança ampla, sem se restringir a assuntos nacionais durante sua campanha. “O Rio de Janeiro precisa de união de forças”, declarou, sugerindo que alianças podem incluir até mesmo aqueles que não compartilham de suas convicções políticas em nível nacional.

