O Papel da Expectativa nas Dinâmicas Políticas
A expectativa é um conceito crucial para a compreensão das dinâmicas sociais e políticas atuais. Em termos simples, expectativa refere-se ao estado de antecipação de algo que se deseja ou que se acredita ser provável. Essa ideia abrange um espectro que vai da esperança ao cálculo de possibilidades, posicionando-se como uma disposição voltada para o futuro, sustentada por promessas e narrativas que guiam tanto a ação individual quanto a coletiva. Essa noção é tão versátil que perpassa diversas áreas do saber, como economia, sociologia, demografia e filosofia política, sempre conectada à ideia de um futuro que ainda não se concretizou.
No contexto político, a definição de política como a arte ou ciência de governar implica uma análise mais aprofundada. Trata-se de um espaço onde a pluralidade e os conflitos são constantes, refletindo a luta por interesses divergentes. A política não se reduz apenas à criação de normas ou à gestão do Estado; ela se desenvolve essencialmente no plano simbólico e discursivo. É nesse espaço que narrativas são construídas, símbolos mobilizados e promessas formuladas, sempre com a intenção de moldar as expectativas sociais, que se tornam fundamentais para a adesão popular e a legitimação dos governantes.
A Interseção entre Expectativa e Poder Político
A expectativa e a política se encontram em um ponto crítico. O que impulsiona a história não é o que já ocorreu — referindo-se ao passado —, mas o que está por vir, ou seja, o que se promete realizar. Nesse sentido, a luta pelo poder se dá principalmente na esfera do futuro. As visões do que poderá ser têm um papel determinante na credibilidade dos candidatos junto ao eleitorado, pois delimitam horizontes de possibilidades e moldam percepções coletivas. Contudo, essa dinâmica não está isenta de riscos.
Se a expectativa é entendida como a antecipação de um desejo, o discurso político frequentemente navega em águas incertas. A linha que separa o que é possível do que é ilusório pode ser tênue, permitindo que a eficácia retórica prevaleça sobre um compromisso genuíno com a verdade. Essa situação pode levar a práticas de simulação, onde o discurso político não serve mais como um mediador racional dos conflitos, mas sim como uma técnica para capturar as expectativas da sociedade.
Os Desafios da Pós-Verdade e das Fake News
O contexto atual evidencia o fortalecimento de fenômenos como as fake news e a chamada pós-verdade. Nesse cenário, não se trata apenas de negar os fatos, mas de criar condições em que informações verificáveis perdem relevância na formação da opinião pública, sendo substituídas por apelos emocionais ou crenças pré-existentes. Assim, a expectativa social, em vez de ser guiada por diagnósticos racionais e projetos fundamentados, se transforma em um instrumento de manipulação.
Durante períodos eleitorais, essa situação se torna ainda mais delicada. O processo democrático enfrenta o risco de que a expectativa coletiva seja distorcida ou manipulada para legitimar projetos autoritários ou personalistas. O desafio é grande: é preciso evitar que a simulação e a dissimulação comprometam o debate público e a qualidade das decisões democráticas.
Rumo a uma Política Ética e Responsável
Entretanto, enfrentar esse desafio não significa eliminar a expectativa do âmbito político, algo que seria tanto inviável quanto indesejado. O que realmente se demanda é a reintegração da expectativa a um patamar ético e democrático. As expectativas sociais não podem ser vistas apenas como objetos de manipulação, mas devem ser respeitadas enquanto fundamentais para a construção de uma política responsável.
A expectativa da população não deve ser utilizada como um artifício para enganar ou para a simples manutenção do poder. Ao contrário, deve ser o motor de um compromisso político que priorize a responsabilidade, a racionalidade e o bem comum. Uma política que se opõe ao autoritarismo, fortalece as instituições democráticas e busca um futuro construído com base em escolhas conscientes e coletivas. Nesse contexto, resgatar a dimensão ética da expectativa é essencial para a preservação da democracia e para garantir que o futuro do Brasil realmente atenda aos anseios de seu povo.

