Distribuição e Público-Alvo Prioritário
A saúde pública no Rio de Janeiro avança com a distribuição de uma nova vacina contra a dengue, que teve início nesta segunda-feira em todos os 92 municípios do estado. O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan, chega em um lote de 33.364 doses, sendo 12.500 destinadas à capital fluminense, reconhecida por suas complexidades epidemiológicas. Essa estratégia, coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), foca inicialmente em grupos prioritários, conforme diretrizes do Ministério da Saúde, demonstrando um compromisso em proteger a população contra a dengue, uma doença que anualmente representa um desafio significativo para a saúde pública.
Fases Iniciais da Imunização
Nesta primeira fase da campanha de vacinação, a SES-RJ prioriza os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa escolha abrange não apenas médicos e enfermeiros, mas também um conjunto diverso de profissionais de saúde, incluindo nutricionistas e psicólogos, além dos agentes comunitários e de combate às endemias. A decisão de focar nesse grupo reflete a necessidade de proteger aqueles que enfrentam diariamente os riscos associados à dengue, bem como garantir a continuidade da assistência à comunidade. Futuras etapas da vacinação incluirão outros segmentos da população, dependendo da disponibilidade de novas doses.
Estratégia de Vacinação e Cenário Epidemiológico
A implementação da vacina no Rio de Janeiro será realizada de maneira gradual, levando em conta a situação epidemiológica de cada município e a disponibilidade de doses. A vacina do Butantan é aprovada para pessoas entre 12 e 59 anos, com foco preferencial em indivíduos de 15 a 59 anos. Essa abordagem é necessária, uma vez que a vacina da Takeda (Qdenga) já está indicada para a faixa etária de 10 a 14 anos. A vacina do Butantan exige apenas uma dose e protege contra os quatro sorotipos da dengue, um avanço importante na imunização contra a doença.
Diferenças Entre Imunizantes
A gerente de Imunização da SES-RJ, Keli Magno, destacou a importância dessa estratégia para otimizar a cobertura vacinal. Os adolescentes a partir de 15 anos e adultos até 59 anos que não receberam a vacina da Takeda serão os principais beneficiados. Com a simplicidade do esquema vacinal de dose única, espera-se que a adesão da população seja mais significativa, ampliando o alcance da campanha.
Vigilância do Sorotipo 3
No contexto atual, os sorotipos 1 e 2 da dengue predominam no estado. Entretanto, a SES-RJ expressa preocupação com a possível reintrodução do sorotipo 3, que não circula no Rio desde 2007, deixando uma parte da população vulnerável. A vigilância é intensa, principalmente porque esse sorotipo já foi identificado em estados vizinhos, o que aumenta o risco de sua introdução no estado fluminense. Assim, a campanha de vacinação e o monitoramento contínuo são cruciais para minimizar os riscos associados a essa vulnerabilidade.
Prevenção e Combate ao Mosquito Aedes aegypti
Apesar da introdução da vacina e de um cenário epidemiológico favorável no momento, a SES-RJ enfatiza a importância das ações preventivas. O alerta é redobrado especialmente após o período do Carnaval, quando o calor e as chuvas criam condições ideais para a proliferação do mosquito Aedes aegypti. A intensa movimentação de turistas durante a folia também pode contribuir para a introdução de novos casos na região, exigindo uma vigilância comunitária efetiva.
Dados Epidemiológicos Recentes e Ações Complementares
O Centro de Inteligência em Saúde da SES-RJ monitora constantemente os casos de dengue, com dados atualizados até o dia 20 do mês corrente. Atualmente, foram registrados 1.198 casos prováveis de dengue, com 56 internações e sem óbitos confirmados até o momento. Em relação à chikungunya, foram reportados 41 casos prováveis e 5 internações, enquanto o estado permanece livre de casos confirmados de zika. Além disso, o Ministério da Saúde introduziu a vacina Qdenga, com mais de 758 mil doses aplicadas em todo o estado, visando ampliar a proteção da população. Essas iniciativas, juntamente com capacitações profissionais e o desenvolvimento de ferramentas digitais para manejo de casos, demonstram o compromisso contínuo com a saúde pública no estado.

