Regras para a Implementação da IA na Educação
O Conselho Nacional de Educação (CNE) anunciou a data para a votação de um conjunto de diretrizes que regulamentará a utilização da inteligência artificial (IA) nas instituições de ensino brasileiras. As novas regras abrangem desde a inclusão da IA no currículo escolar até a utilização da ferramenta por professores, com foco tanto na educação básica quanto no ensino superior.
Após um extenso debate que durou cerca de um ano e meio, envolvendo especialistas, representantes do Ministério da Educação e da Unesco, as diretrizes foram elaboradas para garantir uma integração segura e eficaz da IA nas salas de aula. Após a votação no CNE, o texto será submetido à consulta pública, antes de ser levado ao plenário do conselho para uma votação final, seguindo ainda para a homologação do ministro da Educação.
Segundo o relatório apresentado, o uso pedagógico da inteligência artificial deve ter um objetivo educacional claro e deve sempre ser supervisionado por profissionais qualificados do setor educacional. É importante ressaltar que a proposta proíbe a atuação pedagógica automatizada, ou seja, a IA não poderá assumir funções que são da responsabilidade do educador.
Os docentes devem receber formação que os capacite a utilizar a tecnologia de forma crítica e competente. Embora a inteligência artificial possa auxiliar, por exemplo, na correção de avaliações objetivas, a responsabilidade pela análise qualitativa e pela decisão final sobre os resultados deve permanecer com o professor. Além disso, está proibida a correção automatizada de avaliações dissertativas ou formativas, garantindo que a avaliação continue a ser um processo humanizado e contextualizado.
As diretrizes também estabelecem que as redes de ensino deverão implementar programas de letramento digital, capacitando alunos e educadores a entenderem não apenas os benefícios, mas também os riscos e os princípios éticos relacionados ao uso da inteligência artificial. O foco é promover uma compreensão profunda sobre o funcionamento básico dos modelos de IA, preparando assim uma nova geração de cidadãos críticos e informados.
A integração da inteligência artificial na educação poderá ocorrer de forma transversal e interdisciplinar, o que significa que não se limitará a uma única disciplina, mas poderá ser aplicada em diversas áreas do conhecimento, enriquecendo as práticas pedagógicas em múltiplos contextos.
Outro ponto importante abordado nas novas diretrizes é a formação dos futuros educadores. Os cursos de licenciatura e outros programas voltados para a docência deverão incluir conteúdos que preparem os alunos para um uso ético e crítico da IA em processos de ensino e aprendizagem. Entre os tópicos a serem abordados estão as competências para análise de dados educacionais, a avaliação mediada por tecnologia e a preparação para atuar em ambientes híbridos e digitais, que se tornaram cada vez mais comuns no cenário atual.

