Resultados da Votação na Câmara dos Deputados
A PEC da Segurança Pública, tema central nas discussões da Câmara, foi aprovada com expressivos 487 votos a favor e apenas 15 contra no primeiro turno. Com 10 deputados ausentes e uma abstenção registrada, o número de votos favoráveis superou amplamente os 308 necessários para a aprovação. No segundo turno, o cenário se manteve favorável, com 461 votos a favor e 14 contra. Neste caso, 38 deputados se ausentaram, porém, não houve abstenções.
A proposta agora segue para análise no Senado, onde novas discussões deverão ocorrer. A votação trouxe à tona as posições firmes dos partidos, evidenciando um panorama político dividido em relação à segurança pública.
Votação dos Partidos no Primeiro e Segundo Turnos
No primeiro turno, todos os 11 deputados do PSOL se manifestaram contra a proposta. A Rede também se posicionou criticamente, com dois votos contra, enquanto o União Brasil teve um deputado que votou contra. Entre os deputados que se opuseram à PEC estão nomes como Capitão Augusto (PL-SP), Célia Xakriabá (PSOL-MG), e Erika Hilton (PSOL-SP).
A abstenção ficou por conta da deputada Luizianne Lins (PT-CE). Já no segundo turno, o PSOL manteve sua linha de oposição, com todos os 10 deputados presentes votando contra. Do PT, apenas Juliana Cardoso (PT-SP) também se manifestou contrariamente.
Os opositores da PEC no segundo turno incluíram, além do PSOL, outros como Heloisa Helena (Rede-RJ) e Luiza Erundina (PSOL-SP), demonstrando uma resistência unificada entre os partidos que tradicionalmente têm uma visão crítica das políticas de segurança pública.
Decisões Estratégicas e a Exclusão da Maioridade Penal
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tomou a decisão de levar o texto diretamente ao plenário, evitando a votação na comissão especial. Esta medida visou garantir um avanço mais rápido da PEC, que ficou livre de um dos trechos mais polêmicos: o que previa a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O relator da proposta, Mendonça Filho (União-PE), concordou em excluir essa parte do texto após pedido de integrantes da base governista.
Motta justificou essa escolha ao afirmar que a inclusão do tema poderia resultar na rejeição total da PEC no Senado. “A decisão da presidência é avocar a PEC direto ao plenário para que ela seja deliberada no dia de hoje”, ressaltou Motta, evidenciando a estratégia de evitar complicações que pudessem comprometer a aprovação da proposta.
Após a retirada do trecho sobre maioridade penal, Mendonça expressou sua crença de que, mesmo em um debate acirrado, a proposta original poderia ter sucesso na Câmara, mas enfrentaria dificuldades no Senado. “A PEC poderia ser aprovada aqui, mas morreria no Senado Federal”, alertou o relator, ressaltando a importância de manter o foco na estrutura principal da proposta.
Com a votação finalizada e a PEC aprovada, o próximo passo dependerá do Senado, onde a proposta será novamente debatida. Os desdobramentos dessa discussão continuarão a moldar o cenário da segurança pública no Brasil, refletindo as complexidades políticas e sociais que envolvem o tema.

