Uma Celebração da Cultura Amazônica
A exposição “Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos”, do renomado fotógrafo e cineasta paraense Alexandre Baena, foi inaugurada no último sábado (07) no Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP). Esta mostra, que já percorreu diversas regiões do Brasil, retorna ao eixo nacional em uma edição especial, reafirmando-se como uma vitrine significativa da cultura amazônica em um dos mais prestigiados espaços museológicos do país.
A exposição mergulha o público no universo do Sairé, uma manifestação cultural e religiosa que ocorre anualmente na vila de Alter do Chão, situada no município de Santarém (PA). Por meio de imagens envolventes e narrativas visuais impactantes, a mostra destaca o rito de louvor à Santíssima Trindade, que combina elementos da fé cristã e tradições indígenas Borari, além de retratar a emblemática disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, que simbolizam identidade, pertencimento e ancestralidade da região amazônica.
Durante a cerimônia de abertura, os convidados foram agraciados com uma apresentação especial do rito religioso do Sairé, realizada por uma comitiva da Corte do Sairé. Essa apresentação incluiu cânticos, orações e símbolos sagrados, demonstrando a fusão entre a religiosidade cristã e os saberes indígenas. O evento também contou com a participação das agremiações dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, que trouxeram ao museu elementos cênicos, personagens e narrativas que expressam a emoção, a fé e a rica cultura da vila de Alter do Chão, em um momento que coincide com a celebração da Festa do Divino.
Significado e Importância do Sairé
Em relação ao propósito da mostra, o artista Alexandre Baena destaca que “o rito religioso tem a presença marcante dos povos tradicionais, como ribeirinhos, quilombolas e indígenas Borari. São elementos expressivos que vão desde a colocação dos mastros até as rezas e os cantos de louvor. No que tange à disputa dos botos, os aspectos sobrenaturais, as indumentárias vibrantes e a presença dos povos tradicionais estão evidentes em cada cena que compõe as telas expostas.”
Para a Prefeitura de Santarém, a realização dessa exposição é um passo significativo para o reconhecimento do Sairé como patrimônio cultural imaterial da Amazônia e do Brasil. A manifestação, que possui mais de 300 anos de história, preserva valores religiosos, culturais e ambientais dos povos tradicionais da região.
Essa iniciativa reforça o compromisso com a valorização da identidade santarena, promovendo a cultura amazônica e destacando Santarém no cenário cultural nacional. A exposição oferece ao público de todo o país uma visão autêntica, simbólica e profundamente representativa da Amazônia Paraense.
Um Olhar sobre a Comunicação Cultural
Rayza Reis, coordenadora de Comunicação da Prefeitura de Santarém, esteve presente na abertura e ressaltou a relevância da comunicação no fortalecimento da cultura. “A comunicação pública desempenha um papel fundamental nesse processo: não apenas divulgar, mas traduzir com responsabilidade, respeitando os símbolos, os ritos e os significados que estão intrinsecamente ligados a essa manifestação. Levar o Sairé para além das fronteiras de Santarém é uma forma de ampliar vozes, fortalecer a cultura amazônica e garantir que o mundo conheça essa expressão em sua essência, sem descaracterizações”, destacou.
Osmar Vieira, coordenador do Sairé, também compartilhou sua satisfação ao ver a manifestação sendo apresentada em outros territórios. “É uma honra participar desta exposição aqui em São Paulo. É um prazer e uma alegria trazer a nossa fé ao povo paulista e mostrar que o Sairé é uma tradição que ressoa nos quatro cantos do país”, concluiu.

