O Que Está em Jogo para o Rio de Janeiro
As entidades empresariais do Rio de Janeiro estão em alerta devido a uma possível reestruturação na distribuição dos royalties provenientes do petróleo e gás natural no Brasil. Na última terça-feira, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) e a Fecomércio RJ apresentaram um manifesto ao governador interino Ricardo Couto, onde estimam que o estado pode enfrentar uma perda de aproximadamente R$ 8 bilhões anualmente, enquanto os municípios poderiam ver um déficit de R$ 13 bilhões.
Esse documento é claro ao alertar que a saúde financeira tanto do estado quanto dos municípios poderá ser gravemente afetada se os royalties do petróleo forem redistribuídos. Vale lembrar que esses royalties são pagamentos feitos por empresas à União, estados e municípios em virtude da extração de petróleo e gás. Atualmente, os estados e municípios produtores, assim como aqueles que possuem infraestrutura relacionada, como portos e bases de apoio, recebem essa compensação financeira. Em 2025, estima-se que os royalties totalizem R$ 81 bilhões.
Consequências no Setor Turístico
A perda desses recursos significaria um grande impacto nas finanças do Estado do Rio, que é o maior produtor de petróleo do Brasil. Cidades como Campos dos Goytacazes, Macaé, Maricá e Niterói, que dependem desses repasses, utilizam esses fundos em áreas essenciais como saúde, educação e segurança. O presidente da HotéisRIO, Alfredo Lopes, também enfatiza que o turismo pode ser severamente afetado, uma vez que os recursos são fundamentais para melhorias na infraestrutura, como asfalto de ruas e construção de pontes.
“Esses investimentos são cruciais não só para a qualidade de vida da população, mas também para a atração de turistas. Se as cidades não puderem investir em sua infraestrutura, isso pode levar a uma perda de competitividade no setor de turismo”, alertou Lopes. Cidades que atualmente atraem turistas pela qualidade de seus serviços e infraestrutura, como Campos dos Goytacazes e Macaé, podem enfrentar uma diminuição no fluxo de visitantes.
Histórico de Conflito e Expectativas Futuras
Desde 2013, uma legislação aprovada pelo Congresso que previa uma nova redistribuição dos royalties, com a intenção de beneficiar mais os estados e municípios que não produzem petróleo, está suspensa devido a uma liminar da ministra Cármen Lúcia. Essa questão reflete uma disputa histórica entre os estados produtores e não produtores, e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade dessa mudança está prevista para 6 de maio.
O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, expressou sua esperança de que o STF declare inconstitucional a base legal da proposta de redistribuição, algo que a cautelar da ministra já indicava. “Desde 2013, a situação fiscal do Rio de Janeiro se agravou, com perdas na arrecadação de ICMS e outras fontes de renda relacionadas ao petróleo”, ressaltou Caetano.
Um Pacto Federativo em Risco
Antonio Queiroz, presidente da Fecomércio RJ, também está apreensivo em relação ao julgamento iminente. Ele lembrou que os royalties não são uma forma de remuneração, mas sim uma compensação pelos danos e perdas enfrentados pelos estados que exploram petróleo. “O pacto federativo está em risco”, afirmou Queiroz, evidenciando a importância dessa questão para a estabilidade econômica do estado.
Desdobramentos Futuros
Enquanto o Rio de Janeiro se prepara para o desfecho dessa disputa, os impactos econômicos da redistribuição de royalties continuam a ser uma preocupação central para as autoridades e para o setor empresarial. O resultado do julgamento do STF poderá não só determinar a distribuição de recursos financeiros, mas também impactar diretamente a qualidade de vida dos cidadãos e a dinâmica do setor produtivo, tornando ainda mais urgente a análise dessas questões no contexto da economia nacional.

