A Cultura como Pilar da Economia
A economista ítalo-americana Mariana Mazzucato, conhecida por suas análises incisivas sobre a intersecção entre economia e inovação, trouxe à tona uma reflexão profunda sobre o valor das artes e das manifestações culturais, como o Carnaval. Em suas observações, Mazzucato enfatiza que muitas vezes essas expressões culturais são subestimadas, pois tanto governos quanto a economia tradicional tendem a se apegar a métricas rígidas, como o Produto Interno Bruto (PIB), ignorando a essência de um ‘valor público dinâmico’.
Essa visão limitada de economia, segundo Mazzucato, não reflete a verdadeira contribuição das artes e da cultura para a sociedade. “O Carnaval, por exemplo, vai além de uma festividade; ele é um motor de economia criativa, gerador de empregos e promotor de inclusão social”, afirma Mazzucato, ressaltando como esses eventos podem impulsionar setores variados, desde o turismo até o comércio local.
Embora o PIB continue sendo uma medida tradicionalmente utilizada para avaliar a saúde econômica de um país, a economista argumenta que ele não capta a riqueza emocional e social que a cultura proporciona. “Precisamos reavaliar o que consideramos valor em nossas economias. A cultura é uma parte essencial, pois promove conexões e fortalece a identidade coletiva”, complementa.
A Mudança de Paradigma Necessária
Mariana Mazzucato não é a única voz a clamar por uma mudança de perspectiva em relação ao que realmente importa em termos de desenvolvimento econômico. Vários especialistas têm defendido uma visão mais holística, que inclua a cultura como um elemento central na formulação de políticas públicas. Assim, em vez de simplesmente contabilizar números, seria essencial medir impactos sociais, culturais e ambientais.
Um exemplo emblemático é o Carnaval carioca, que atrai milhões de turistas anualmente e gera uma receita considerável para a cidade do Rio de Janeiro. No entanto, o impacto positivo vai além das finanças; ele é um verdadeiro símbolo de resistência e criatividade, refletindo a diversidade cultural do Brasil.
“Infelizmente, muitos governos ainda tratam a cultura como um item secundário nos orçamentos públicos, priorizando investimentos em áreas consideradas mais ‘produtivas’”, lamenta Mazzucato. Ela acredita que essa abordagem deve ser reavaliada, considerando que a cultura não apenas enriquece a vida das pessoas, mas também desempenha um papel fundamental na economia.
Propostas para Valorização da Cultura
Para que a cultura receba a atenção que merece dentro do cenário econômico, Mazzucato sugere algumas propostas. Entre elas, a criação de políticas que incentivem a produção cultural, como financiamentos específicos, e a promoção de incentivos fiscais para empresas que investem em projetos culturais. “Essas medidas podem transformar a percepção de valor e estimular um ecossistema cultural vibrante”, argumenta.
Além disso, a educadora ressalta a importância de incluir a cultura nos currículos escolares, para que futuras gerações possam entender e valorizar as riquezas culturais desde cedo. “Educar para a valorização da cultura é fundamental para garantir que ela seja vista como um ativo e não apenas como um gasto”, finaliza Mazzucato.

