Apoio do PT no Rio e Estratégias para as Eleições
O diretório do PT do Rio de Janeiro formalizou seu apoio a Eduardo Paes (PSD-RJ) na disputa pelo governo estadual e anunciou Benedita da Silva como candidata ao Senado. Esta decisão surge em meio a um cenário político complexo, onde os petistas também defendem a realização de eleições diretas para um “mandato-tampão” no Palácio Guanabara, uma medida necessária após a recente vacância no comando do executivo fluminense. A escolha de Benedita, que foi destacada para combater as críticas religiosas ao partido, visa a promover a unidade do PT na preparação para as eleições de outubro.
Durante uma reunião decisiva, a legenda fluminense confirmou Eduardo Paes como o principal candidato para dar suporte à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), buscando consolidar uma frente ampla no estado. A decisão foi unânime, demonstrando a força e a coesão do partido neste momento estratégico.
O PT do Rio também discutiu as implicações da renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) e a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar (União Brasil-RJ), que resultaram em um vácuo de poder. A situação se tornou ainda mais complicada após o vice-governador Thiago Pampolha se tornar conselheiro do Tribunal de Contas (TCE), agravando a crise de sucessão no governo.
Em nota divulgada nas redes sociais, a sigla justificou a escolha por eleições diretas como a “alternativa mais adequada” para o exercício temporário da liderança do executivo estadual. “A participação popular é fundamental para garantir os princípios democráticos”, afirmaram os representantes do PT, destacando que apenas a população pode decidir o futuro do estado do Rio de Janeiro.
Na última sexta-feira, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) elegeu, após a anulação da primeira votação na Justiça, o deputado Douglas Ruas (PL-RJ) como novo presidente. Este movimento pode criar um novo cenário para a política estadual, com Ruas como potencial adversário de Paes na corrida ao governo. O ex-prefeito tenta, portanto, articular forças para evitar que o adversário, respaldado pelo senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), assuma o controle da máquina pública fluminense.
O PT enfatiza a importância de eleições diretas para a escolha do novo governador, mas a decisão sobre o modelo de votação está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda não concluiu seus julgamentos sobre o tema. O pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino tem mantido a questão em suspenso.
Candidatura de Benedita e Reforço nas Estratégias de Comunicação
No mesmo encontro, o PT do Rio anunciou Benedita da Silva como a candidata oficial ao Senado, acompanhada de Felipe Pires, líder do PT na Câmara Municipal, e do pastor e cantor Kleber Lucas como suplentes. A escolha de Benedita, uma figura respeitada e com forte apelo na comunidade, é vista como uma estratégia para reforçar a imagem do partido entre eleitores mais conservadores, especialmente aqueles vinculados ao segmento evangélico.
Em um movimento proativo, a deputada gravou um vídeo onde se posiciona como “mulher de fé” e expressa seu orgulho em ser evangélica há mais de 60 anos. Durante a gravação, Benedita criticou a direita por promover o “medo e a divisão”, ao mesmo tempo em que destacou as políticas de inclusão do governo federal, como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais.
O PT do Rio, em comunicado, ressaltou que o apoio a Benedita e seus suplentes é fruto de um processo coletivo que visa fortalecer a unidade do partido em torno de um projeto comum para o estado. A sigla se manifestou nas redes sociais dizendo: “Com a definição da chapa ao Senado e um posicionamento claro sobre o cenário político, seguimos firmes na construção de um Brasil melhor.”
O próximo encontro do diretório está agendado para o dia 23 de maio, onde serão debatidas estratégias eleitorais e o fortecimento do projeto democrático para o Rio, assim como as táticas para a reeleição de Lula.

