Retotalização dos Votos da Alerj em Foco
No dia 31 de outubro, às 15h, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) realizará a retotalização dos votos referentes às eleições de 2022 para o cargo de deputado estadual. Esta ação é uma resposta à determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar, que já foi presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), por ter utilizado recursos da Fundação Ceperj de forma irregular durante sua campanha eleitoral.
A decisão que resultou na cassação de Bacellar, junto com a declaração de inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro e do ex-presidente da Ceperj, Gabriel Rodrigues Lopes, terá um impacto significativo. Os 97.822 votos que Bacellar recebeu serão anulados, o que modificará a distribuição de cadeiras na Alerj, afetando diretamente a configuração partidária na Casa.
Além disso, a presidência da Alerj também foi afetada. A desembargadora Suely Lopes Magalhães, que preside interinamente o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, anulou a eleição de Douglas Ruas (PL) para a presidência da Alerj, que havia ocorrido no dia 26 de outubro. Segundo a magistrada, a votação deveria ocorrer somente após a retotalização dos votos, assegurando que a composição da Assembleia refletisse a real situação eleitoral.
Contexto Político Turbulento no Rio de Janeiro
O cenário político fluminense tem se mostrado conturbado desde maio de 2025, quando o estado ficou sem vice-governador em razão da renúncia de Thiago Pampolha. Rodrigo Bacellar, que estava na linha sucessória, foi preso em dezembro do mesmo ano durante a Operação Unha e Carne, que investigou a relação de alguns políticos com a facção Comando Vermelho (CV).
Após sua soltura, Bacellar foi afastado da presidência da Alerj por uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) e foi substituído, de maneira interina, pelo deputado Guilherme Delaroli (PL). Em março de 2026, Cláudio Castro, buscando resguardar sua elegibilidade em meio a um julgamento no TSE, renunciou ao governo do estado para concorrer a uma vaga no Senado. Como resultado de sua situação jurídica, Castro foi declarado inelegível até 2030.
Atualmente, a liderança do governo interino está sob a responsabilidade de Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça, que assume a função em um período de incertezas políticas e administrativas.
Impactos da Retotalização dos Votos
A retotalização dos votos pelo TRE-RJ se apresenta como um passo crucial para reestabelecer a ordem na composição da Alerj, permitindo que novas eleições para a presidência da Casa sejam realizadas. Este processo é fundamental não apenas para legitimar a nova configuração da Assembleia, mas também para definir a linha sucessória do governo fluminense, em um momento de prolongada instabilidade política.
Os desdobramentos dessa retotalização têm o potencial de alterar a dinâmica política no estado, refletindo diretamente na governabilidade e nas relações entre os partidos que compõem a Alerj. As expectativas são altas e a atenção da população e de analistas políticos está voltada para as consequências desse resultado.

