A Falta de Quorum e Suas Consequências
O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um cenário preocupante, funcionando incompleto há sete meses, com apenas dez ministros. A ausência de um dos membros tem gerado riscos reais de impasses nos julgamentos, especialmente em casos que demandam decisões rápidas e eficazes, como a análise das regras sobre a distribuição das taxas governamentais relacionadas à produção de petróleo e gás. Na próxima quarta-feira, a Corte iniciará o julgamento de ações que podem alterar significativamente a arrecadação de estados e prefeituras, envolvendo royalties e participações especiais (PE).
Este caso específico aborda a lei que modificou os critérios de divisão dos royalties e participações especiais, uma medida que aumentou a fatia destinada a estados e municípios que não produzem petróleo. Vale lembrar que esta norma permanece suspensa desde 2013, devido a uma decisão liminar da ministra Cármen Lúcia, que atende a questionamentos de estados produtores que alegam violação do pacto federativo e o risco de perdas bilionárias na arrecadação.
Empates e Consequências no Julgamento Penal
A situação de falta de quorum já tem reflexos nas turmas do STF, que são formadas por cinco ministros e são responsáveis por resolver questões penais. Em casos de empates, a decisão tende a favorecer o réu, o que foi evidente na semana passada, quando a Primeira Turma, composta por apenas quatro ministros, julgou o pastor Silas Malafaia como réu por injúria, após ele ter ofendido a cúpula das Forças Armadas. Embora ele também tenha sido acusado de calúnia, a divergência entre os ministros resultou em um empate que favoreceu Malafaia, levando à abertura de um processo somente para apurar a injúria.
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No campo do direito penal, uma ação que busca estabelecer um cadastro nacional de pedófilos e predadores sexuais permanece sem resolução. Essa proposta inclui a implementação de monitoramento eletrônico automático para condenados, demonstrando a urgência de decisões claras neste segmento.
Casos Pendentes e Análises de Especialistas
Ademais, há uma série de questões relacionadas ao funcionalismo público que aguardam julgamento, incluindo a validade da aposentadoria compulsória de servidores aos 75 anos e a constitucionalidade de uma lei que proíbe a contratação de pessoas condenadas por feminicídio ou violência doméstica no serviço público. Essas questões são cruciais para a definição de políticas públicas e manutenção da ordem no serviço estatal.
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De acordo com o professor Álvaro Jorge, da FGV Direito Rio, a vacância no Supremo não compromete o funcionamento institucional da Corte, uma vez que a Constituição não exige que os 11 ministros estejam presentes para a realização de julgamentos. Contudo, ele ressalta que a diminuição do número de integrantes aumenta a probabilidade de empates, o que pode criar um cenário de ajuizamento estratégico de ações. “Isso pode conduzir a decisões imprevistas, principalmente em matérias criminais, onde, na dúvida, a tendência é decidir em favor do réu. Com a ausência de um ministro, um julgamento que poderia resultar em condenação pode acabar em absolvição”, explica Jorge.
Em suma, a falta de um dos membros do STF não só expõe a fragilidade do funcionamento da Corte, mas também revela a urgência de se encontrar uma solução para evitar que questões fundamentais fiquem paradas, impactando diretamente a vida de cidadãos e o equilíbrio das instituições.

