Uma Decisão Histórica que Preserva Memórias e Direitos Humanos
A construção projetada pelo arquiteto Heitor de Mello, inaugurada em 1910, serviu como a sede central de polícia no Rio de Janeiro e é um símbolo de um período sombrio na história do Brasil. Entre as décadas de 1960 e 1970, esse imóvel foi a sede do Dops, um local marcado por prisões arbitrárias, violações de direitos humanos e gestos de violência institucional durante a ditadura militar.
“Este ato homenageia aqueles que foram torturados, perseguidos, mortos ou desaparecidos por lutarem pela liberdade. Ao transformá-lo em patrimônio, colaboramos para que as gerações atuais e futuras possam aprender com os erros desse período”, declarou Leandro Grass, presidente do Iphan.
O edifício também é conhecido por abrigar o Acervo Nosso Sagrado, uma coleção que inclui objetos de religiões de matriz africana, que foram tombados pelo Iphan. Esses itens, resultantes de ações policiais contra terreiros de candomblé e umbanda entre 1890 e 1946, são uma expressão significativa da cultura e resistência afro-brasileira.
Após um período em que a União cedeu o prédio ao governo do estado do Rio para fins policiais, o espaço encontra-se abandonado há mais de 15 anos. A estrutura, que possui três andares e um pátio interno, é admirada por sua arquitetura eclética com influências francesas. As fachadas simétricas, os detalhes ornamentais, vitrais, balaustradas e uma cúpula na esquina tornam o prédio um dos principais exemplos da Belle Époque carioca e um marco da modernização urbana do início do século XX.
Com o tombamento, o Iphan se compromete a preservar a integridade histórica e cultural do edifício, assegurando que suas características originais permaneçam intactas e evitando qualquer destruição ou alteração sem a devida autorização.
Organizações como o Ministério Público Federal (MPF) e o Movimento Tortura Nunca Mais estão se mobilizando para que o espaço seja transformado em um centro de memória e direitos humanos. A Secretaria de Patrimônio da União participou da vistoria feita pelo Ministério da Cultura, que irá avaliar o modelo que será adotado para o futuro do prédio.
O processo para destinar o imóvel será iniciado com base nas propostas do ministério, garantindo a participação de outros órgãos federais envolvidos nessa importante questão. A Secretaria de Estado de Polícia Civil também se declarou disposta a colaborar com a preservação do acervo que ainda permanece no local.
Vale destacar que o prédio foi desocupado em 2011 devido a riscos de desabamento, causados por danos estruturais originados de obras em um edifício vizinho. Agora, com a homologação do tombamento, espera-se que esse espaço seja revitalizado e se torne um monumento à resistência e à luta por direitos.

