Obras e Desafios na Gestão de Eduardo Paes
Eduardo Paes (PSD), o prefeito que passou mais tempo no comando da cidade do Rio de Janeiro — totalizando 4.827 dias em quatro mandatos —, oficializa sua renúncia ao cargo nesta terça-feira para se candidatar ao governo do estado pela terceira vez. Ao deixar o Palácio da Cidade, o gestor deixa uma marca indelével na cidade, tendo implementado mudanças como a demolição do Elevado da Perimetral, a revitalização da Zona Portuária por meio do Boulevard Olímpico, a criação de parques públicos nas zonas Norte e Oeste, e o lançamento do programa Reviver, que visa reocupar o Centro do Rio. No entanto, Paes transferirá a responsabilidade ao seu vice, Eduardo Cavaliere, de resolver problemas críticos como a longa fila de espera por consultas e cirurgias na rede pública, uma promessa de campanha que não foi cumprida. Questões como estacionamento irregular, a precariedade na iluminação pública e buracos nas ruas são algumas das principais queixas da população carioca.
Desafios Financeiros e Obras em Andamento
Nos últimos cinco anos, a gestão de Paes enfrentou sérios desafios financeiros, com um orçamento municipal muitas vezes apertado. Isso contrasta com as duas primeiras gestões, entre 2009 e 2016, quando a cidade contou com recursos para realizar grandes projetos, como os investimentos em infraestrutura para a Olimpíada de 2016. Apesar dos R$ 5 bilhões provenientes da venda da Cedae, que foram parcelados, Paes teve que buscar empréstimos para viabilizar obras durante seus últimos mandatos. Durante seu retorno ao cargo, após a gestão de Marcelo Crivella (2017-2020), o prefeito enfrentou um “recomeço”, especialmente no que diz respeito à mobilidade urbana.
Um dos principais desafios foi a recuperação do sistema de BRT e a conclusão do Transbrasil (trecho de Deodoro a Caju), que estava estagnado há quase uma década. Recentemente, esse corredor foi finalmente inaugurado, embora com um atraso de sete anos em relação ao cronograma original. Outro projeto inovador foi o terminal de Integração Gentileza (TIG), no Caju, e a expansão do VLT, que visam melhorar o transporte público na cidade.
Iniciativas e Promessas na Saúde
Na área de saúde, a gestão de Paes buscou recuperar o programa Saúde da Família, que havia sofrido uma drástica queda na cobertura durante o governo anterior, de 70% para 34,9%. Com a contratação de novos profissionais, o percentual de cobertura alcançou 73,89% até o final do ano passado. Entretanto, o acesso a consultas e exames ainda permanece desafiador. Dados recentes indicam que o tempo médio de espera no Sistema de Regulação (Sisreg) é de 105 dias, com pacientes enfrentando até 234 dias de espera na cardiologia. Uma medida que se destacou, no entanto, foi a introdução do medicamento Ozempic na rede municipal, que foi iniciada por Paes em um ato simbólico no Super Centro de Saúde de Campo Grande.
Urbanismo e Revitalização do Centro
Entre as iniciativas urbanísticas, destaca-se o programa Reviver Centro, que visa transformar a área central do Rio em um espaço mais residencial, em meio a uma abundância de imóveis comerciais fechados desde a pandemia. Apesar das 8.702 unidades habitacionais autorizadas desde 2021, apenas 1.256 apartamentos receberam o habite-se até o momento. Em um esforço para impulsionar a revitalização, a prefeitura adquiriu o Edifício A Noite, o primeiro arranha-céu da cidade, que será convertido em residências de luxo, revitalizando assim a área do Boulevard Olímpico.
Desafios de Segurança e Urbanismo
O maior projeto em fase de conclusão da gestão, o Anel Viário de Campo Grande, busca reorganizar o tráfego do maior bairro do Brasil, com um custo total de R$ 838 milhões, financiados por empréstimos do BNDES. Para endereçar as preocupações com a segurança, a prefeitura aprovou uma lei que permite à Guarda Municipal portar armas, resultando na criação da Força Municipal, que estreou recentemente nas ruas, com um contingente inicial de 600 guardas. Entretanto, o tão aguardado projeto de choque de civilidade, prometido por Paes antes de assumir seu quarto mandato, não avançou significativamente, levando ao aumento das queixas sobre a desordem urbana e a insegurança nas ruas. A falta de ações eficazes para atender as pessoas em situação de rua continua sendo um ponto crítico na gestão.

