Uma exposição que Une Arte e Cultura
Em 7 de maio de 2026, às 17h, o Centro Cultural do Cariri Sérvulo Esmeraldo dará início à exposição “Cariri: corpo, terra e cultura”. Este evento representa a maior realização desde a inauguração do espaço, que faz parte da Rede Pública de Equipamentos Culturais (Rece) do Governo do Ceará. O projeto, gerido em colaboração com o Instituto Mirante de Cultura e Arte, reúne mais de 170 artistas e aproximadamente 2.300 obras que vão de ilustrações a fotografias, esculturas, bordados e xilogravuras. Sob a curadoria de Bitu Cassundé, ao lado dos curadores adjuntos Maria Macêdo e Francisco Pereira, a exposição é dividida em três núcleos temáticos: Anunciação, Encandear e Abrir com mãos afiadas o caminho.
Rosely Nakagawa, a diretora do Centro Cultural do Cariri, enfatiza que esta exposição é fruto de quatro anos de intensas experiências de escuta e investigação sobre a cultura do Cariri. “A proposta foi compreender e integrar-se ao território, cultivando empatia e conexão entre razão e emoção. Consideramos essa mostra o ápice deste tempo de convivência com as diversas culturas dos 29 municípios que compõem a região”, revela Rosely.
A exposição busca estabelecer um diálogo entre memória e criação, refletindo sobre as várias dimensões que formam a identidade caririense. As obras apresentadas promovem uma interação entre práticas de artistas locais, mestras e mestres da cultura, com criações contemporâneas que destacam as continuidades, rupturas e reinterpretações que marcam a evolução cultural do Cariri.
Em suas palavras, Bitu Cassundé destaca que “as obras reunidas criam um espaço expandido de experiência, onde a paisagem e o corpo não são vistos como categorias isoladas. O território se revela como um organismo sensível, enquanto o corpo se transforma em uma superfície viva que registra a história e a cosmologia”. Esta abordagem multidimensional é o que torna a exposição uma experiência única.
Formação e Envolvimento na Cultura Local
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Entre junho e outubro de 2025, o Centro Cultural do Cariri promoveu um curso gratuito de longa duração em Pesquisa e Criação em Exposições de Arte, envolvendo egressos que agora atuam na equipe da exposição “Cariri: corpo, terra e cultura”. Bitu Cassundé observa que a intenção desde o início era trazer conhecimento local através de todas as etapas necessárias para a realização de uma exposição dessa magnitude. “O objetivo não era apenas realizar um evento pontual, mas desenvolver uma compreensão mais profunda sobre a construção e o repertório cultural que sustentam tais iniciativas”, afirma.
Núcleos Temáticos da Exposição
Anunciação
O núcleo Anunciação abre a mostra como um espaço de confluência simbólica, onde elementos de festa, espiritualidade, oralidade e natureza coexistem harmoniosamente. Este segmento serve tanto como uma homenagem quanto como uma reativação das epistemologias que habitam as práticas dos mestres e mestras da cultura, cujas expressões não só compõem, mas também fundamentam as bases do imaginário caririense. A natureza é vista como uma entidade viva, intimamente ligada ao encantamento espiritual, enquanto o sagrado se manifesta em formas votivas que transformam o altar em um espaço relacional de encontros.
Abrir com as Mãos Afiadas o Caminho
Esse núcleo aborda uma vertente mais contemporânea, conectando obras de novos artistas com aquelas de mestres consagrados. A curadoria destaca a importância de eliminar hierarquias entre o que é considerado popular e contemporâneo, promovendo uma visão inclusiva da arte. A ideia é unir todos os artistas sob uma mesma perspectiva, indiferentemente da categorização de seus trabalhos.
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Encandear
O núcleo Encandear explora a imagem como um campo de disputa e a memória como um híbrido entre vestígio e projeção. Fotografias, vídeos e registros funcionam como dispositivos que desafiam os limites entre o registro e a narrativa, estabelecendo conexões entre o visível e o invisível. Elementos como feiras e romarias se transformam em coreografias coletivas que encapsulam espiritualidade, economia e identidade, enquanto arquivos históricos revelam a resistência e a vitalidade de comunidades como terreiro, quilombolas, indígenas e negros na formação do território.
Um destaque neste núcleo é a feira do Crato, com registros fotográficos da fotógrafa Telma Saraiva, que revelam a riqueza cultural da localidade. As imagens capturadas por Júlio Saraiva nos anos 50 trazem um caráter documental, enquanto as de Edilson Rocha, mais recentes e coloridas, oferecem uma perspectiva poética e ensaística.
A exposição “Cariri: corpo, terra e cultura” estará em cartaz por um ano e conta com o apoio de várias instituições culturais, como a Central de Artesanato do Ceará, o Museu da Cultura Cearense e o Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, entre outros.
Centro Cultural do Cariri: Um Polo de Cultura
Localizado no Crato, Ceará, o Centro Cultural do Cariri é um equipamento de grande importância que atende a 29 municípios da região. Desde sua inauguração, já foram realizadas cerca de 4 mil ações, beneficiando mais de um milhão de pessoas com programações culturais gratuitas. Com uma área de mais de 50 mil metros quadrados, o centro abriga diversos espaços, como galerias, residências artísticas, biblioteca e núcleos de formação.
Reconhecido pelo seu impacto, o Centro Cultural do Cariri foi premiado como Instituição Destaque no prêmio Melhores de 2025 da Revista Celeste, reafirmando sua relevância cultural no Cariri e no Brasil.
Serviço
Abertura da Exposição “Cariri: corpo, terra e cultura”
Data: 7 de maio de 2026, às 17h
Local: Átrio, piso 0, Centro Cultural do Cariri Sérvulo Esmeraldo – Av. Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes, 1, Gizélia Pinheiro (Batateiras), Crato, Ceará

