Campanha ‘educação no Alvo’ e suas implicações
A Anistia Internacional iniciou uma série de intervenções urbanas em locais estratégicos do Rio de Janeiro, focando em áreas com grande circulação de autoridades do sistema de justiça e segurança pública. A iniciativa faz parte da campanha ‘Educação no Alvo’ e utiliza mobiliário urbano e peças de mídia Out of Home (OOH) nas proximidades da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), da Secretaria de Segurança Pública e do Ministério Público.
A proposta é chamar a atenção para a violação do direito à educação, que tem sido comprometido pela frequente ocorrência de operações policiais e confrontos armados no estado. As intervenções, criadas pela agência Africa Creative, transformam materiais didáticos que deveriam ser utilizados em sala de aula em alvos de tiro, simbolizando o impacto direto da insegurança pública no cotidiano escolar e no aprendizado de milhares de estudantes. O resultado é uma crítica contundente sobre a realidade enfrentada por crianças e adolescentes nas comunidades cariocas.
A urgência de um debate público
Essa mobilização ocorre em um contexto político delicado, visando estimular o debate público sobre a segurança, ressaltando os efeitos concretos dessa problemática na vida de jovens, suas famílias e suas comunidades. A primeira ação da campanha foi exibida em um painel OOH localizado no Jardim de Alah, ampliando o alcance da denúncia sobre a interrupção do calendário escolar.
Leia também: Professora da UEPB Recebe Homenagem em Congresso Nacional sobre Inclusão e Educação
Leia também: Concursos na Educação em 2026: Mais de 24 Mil Novos Cargos Autorizados!
O projeto estabelece um paralelo entre o calendário escolar de 2025 e os registros de tiroteios no estado. Estima-se que, apenas no último ano, estudantes tenham perdido cerca de 50 dias letivos devido a episódios de violência extrema, como tiroteios e operações policiais, o que equivale a quase dois meses de aulas perdidas.
Um olhar sobre a violência e a educação
Ao ocupar espaços próximos a centros decisórios, a Anistia Internacional busca evidenciar que a dinâmica da violência hoje determina o funcionamento das escolas em diversas áreas, ofuscando as diretrizes educacionais estabelecidas. Essa é uma realidade alarmante que exige uma resposta imediata das autoridades competentes, uma vez que as crianças não podem arcar com as consequências da violência que as circunda.
Leia também: Suspensão de Obras na Educação do RJ: TCE Intervém em Contratos
Leia também: MPRJ Recomenda Regularização de Recursos do Fundeb à Faetec para Garantir Educação de Qualidade
A campanha também apresenta o documentário ‘Cartas pela Paz’, dirigido por Mariana Reade, Thays Acaiabe e Patrick Zeiger, em parceria com a Redes da Maré, uma organização dedicada à defesa de direitos nas favelas do Rio de Janeiro. No filme, crianças residentes em favelas escrevem cartas endereçadas ao Supremo Tribunal Federal, expressando suas vivências e anseios em meio à insegurança.
O papel da Anistia Internacional
As violações dos direitos humanos estão no cerne da atuação da Anistia Internacional. A situação crítica no Rio de Janeiro apresenta uma oportunidade fundamental para que a organização mobilize a sociedade e pressione órgãos de controle, como o Ministério Público, para que se busque uma mudança real nessa narrativa. Ações como a campanha ‘Educação no Alvo’ são essenciais para trazer à tona questões que muitas vezes são ignoradas, contribuindo para uma conscientização mais ampla sobre a importância do direito à educação em um ambiente seguro.

