Conflitos e Denúncias no Supremo
Na última semana, Silas Malafaia foi formalmente declarado réu pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a declarações que fez sobre generais do Exército durante uma manifestação em São Paulo. Agora, o pastor se vê diante de um processo penal na Corte. Em entrevista ao programa Sem Rodeios e à coluna Entrelinhas, Malafaia relembrou que, nos últimos cinco anos, denunciou ‘crimes e absurdos’ relacionados ao ministro do STF, Alexandre de Moraes.
“Conduzimos mais de cinquenta vídeos e manifestações. Não são denúncias vazias. Quando se menciona alguém em uma denúncia, é necessário apresentar provas. Um dos principais pontos que abordei é sobre o inquérito ilegal e imoral das fake news”, afirmou Malafaia. Ele critica esse inquérito por não contar com a participação do Ministério Público, conforme determina a Constituição. “Esse inquérito foi instaurado para proteger ministros de acusações de corrupção na época”, defendeu.
O pastor ainda alegou que Moraes, a partir desse inquérito, transformou a liberdade de expressão em crime de opinião, visando perseguir opositores. Segundo Malafaia, o ministro estava à espera de uma oportunidade para criminalizar seu discurso. Ele relata que, mesmo sem uma vítima específica, acabou sendo incluído na lista de réus após descrever generais do Exército como uma ‘cambada de frouxos, covardes e omissos’. Silas mencionou que o respeitado jurista Ives Gandra chegou a defender seu caso, sublinhando que ele deveria ser protegido pela liberdade de expressão.
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Relação com Flávio Bolsonaro e Acusações de Propaganda Eleitoral
Além de enfrentar o processo no STF, Malafaia também se tornou alvo do Ministério Público Eleitoral em conjunto com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após um culto de celebração da Santa Ceia realizado em sua igreja no último domingo (3). Em resposta, a Associação Movimento Brasil Laico protocolou uma representação na Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, acusando ambos de realizar propaganda eleitoral antecipada.
O pastor reagiu de forma contundente: “Seria mais fácil esses grupos pendurarem uma jaca ou uma melancia no pescoço para chamar a atenção”. Ele enfatizou que tem o direito de orar por quem desejar durante o culto, ressaltando que não deu o microfone a nenhum político presente, tampouco fez declarações de apoio a quaisquer candidaturas.
Malafaia também reforçou que sempre manteve uma ligação próxima com a família Bolsonaro, notando que Flávio é o filho com quem ele tem maior afinidade. Em suas declarações, ele sugeriu que, para enfrentar Lula, a melhor chapa seria formada por Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Michelle Bolsonaro (PL-DF). “Não jogo baixo. Abomino o radicalismo, tanto da esquerda quanto da direita”, enfatizou, alertando que tal radicalismo “cega as pessoas”.
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O pastor explicou sua preferência por Tarcísio, elogiando-o como “um grandioso governador de São Paulo” e destacando Michelle por suas raízes evangélicas e suas origens nordestinas, além de ser esposa de Bolsonaro. Apesar disso, Malafaia acredita que diversos nomes da direita devem se candidatar nas eleições de 2026. “No segundo turno, estaremos todos juntos”, previu, elogiando a habilidade política e inteligência de Flávio.
Reprovação da Indicação de Jorge Messias
O pastor também comentou a reprovação da indicação de Jorge Messias ao STF, avaliando que houve uma movimentação estratégica para enfraquecer sua nomeação. Ele acredita que essa manobra foi motivada pelo temor de que o ministro André Mendonça pudesse ganhar força política, especialmente por sua proximidade com setores evangélicos e Jair Bolsonaro. Malafaia mencionou que influentes figuras atuaram nos bastidores para influenciar o resultado, incluindo o ministro Alexandre de Moraes.
Além disso, destacou a habilidade de Davi Alcolumbre (União-AP) como um político experiente que sabe como articular decisões estratégicas. Para Malafaia, essas movimentações revelam como o jogo político pode ser determinante em processos que, teoricamente, deveriam seguir critérios mais objetivos e institucionais.
Postura de Sóstenes Cavalcante
Indagado sobre o gesto amistoso do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), em relação ao indicado de Lula ao STF, Malafaia expressou sua discordância quanto àquela demonstração de afeto. Apesar de reconhecer a importância da cordialidade nas relações políticas, ele acredita que, como líder partidário, Sóstenes deveria ter adotado uma postura mais firme. “Eu disse a ele: você é líder do partido. Ser cordial e educado é válido, mas naquele momento, desempenhando um papel constitucional, precisa ter uma postura mais firme”, concluiu.

