História de uma estreia histórica na Copa do Mundo
O maior torneio de futebol do planeta começou, reunindo pela primeira vez 48 seleções em busca do título mais cobiçado do esporte. Estados Unidos, México e Canadá são as sedes que recebem as partidas desta edição, que já acumula momentos emocionantes e surpresas entre equipes tradicionais e estreantes. Uma das histórias mais marcantes é a da Seleção de Curaçao, que chega à sua primeira Copa do Mundo após uma campanha invicta nas eliminatórias da Concacaf.
Curaçao: uma seleção que nasceu com identidade própria
A pequena ilha caribenha de cerca de 180 mil habitantes, que pertenceu às Antilhas Holandesas até 2010, passou a ter representação oficial na FIFA em 2011, quando criou sua seleção nacional. O futebol local ainda é semiprofissional, o que faz com que a equipe seja formada majoritariamente por jogadores com vínculos familiares ou dupla cidadania ligada à Holanda, antiga colonizadora. Essa estratégia tem sido fundamental para fortalecer o elenco e garantir competitividade no cenário internacional.
Dos 26 convocados para a Copa do Mundo de 2026, apenas um nasceu em Curaçao. A Federação local investe em um projeto técnico ambicioso para atrair atletas que possuam raízes caribenhas e possam defender o país no maior palco do futebol mundial.
Paulinho das Arábias: o brasileiro de São Gonçalo que virou lenda em Curaçao
Na década de 1980, um jogador brasileiro chamou a atenção dos torcedores curaçauenses e se tornou um ídolo absoluto na ilha: Paulo Roberto da Silva, conhecido como Paulinho das Arábias. Natural de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, ele construiu sua carreira no Brasil, passando por clubes como CRB, Corinthians — onde jogou ao lado de Roberto Rivellino — e Athletico Paranaense.
Em 1984, Paulinho aceitou o convite do treinador Jair Pereira para atuar em Curaçao. “Voltei para o Rio de Janeiro e Jair me deu essa oportunidade de ir para Curaçao, onde o futebol ainda estava no começo, era semi profissional. Foi uma chance de independência financeira”, lembra.
Durante dois anos e meio, o brasileiro brilhou no Sport Unie Brion-Trappers (SUBT), atuando pela ponta esquerda. Com mais de 80 gols marcados, incluindo um na final do Campeonato Antilhano — competição que reunia os melhores clubes do Caribe — ele conquistou três títulos e virou uma verdadeira referência no futebol local.
“Lá fui abraçado como um filho da terra. A torcida me dava apoio, carinho e amizade. Entrava numa loja e as pessoas vinham com camisas, sapatos, até cordão de ouro me deram. Me sentia um popstar”, relembra Paulinho.
Retorno e legado: Curaçao como segunda pátria
Em 2019, Paulinho retornou a Curaçao e encontrou o mesmo carinho e admiração dos torcedores e amigos. “Foi maravilhoso, contagiante. Curaçao é minha segunda pátria”, afirma o ex-jogador.
Quarenta anos após sua passagem pelo futebol local, a seleção que ajudou a fortalecer está pela primeira vez na Copa do Mundo. Paulinho não esconde a expectativa e a alegria com este momento histórico. “Acho que não vai fazer feio. Vai ser festa total. O povo é muito alegre, sempre em festa, churrasco e dança”, destaca.
Apesar da forte ligação com Curaçao, Paulinho garante que a torcida da ilha será pelo Brasil. “Eles são apaixonados pelo futebol brasileiro e vão torcer em peso para o Brasil, não para a Holanda”, comenta.
Próximos desafios e calendário de Curaçao na Copa
A estreia da seleção de Curaçao na Copa do Mundo está marcada para este domingo, às 14h, contra a Alemanha. A equipe está no grupo E, ao lado de Costa do Marfim e Equador, e promete surpreender na competição. A participação da pequena ilha caribenha no maior evento do futebol mundial é um marco para o esporte local e uma inspiração para futuras gerações.

