Demora no IML de Nova Iguaçu afeta famílias da Baixada Fluminense
O Instituto Médico Legal (IML) de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, tem sido palco de longas esperas para famílias que buscam liberar corpos de entes queridos. A situação se agravou após a suspensão das necropsias no IML de Duque de Caxias, fechado para obras, o que fez com que a unidade de Nova Iguaçu absorvesse a demanda de diversos municípios da região.
O artista plástico Carlos Eduardo Carrilho Baião viveu essa realidade ao tentar liberar o corpo do filho Lucas, de 26 anos, vítima de um acidente de moto em São João de Meriti. Carlos relatou ter passado mais de um dia no IML, chegando às 7h de domingo e saindo às 21h sem conseguir concluir o processo. Ele retornou ao local na segunda-feira, quando foi informado de que havia uma grande fila de corpos aguardando atendimento, com apenas um médico-legista realizando os procedimentos.
Reclamações apontam para falta de estrutura e acolhimento
Além de Carlos, outras famílias também enfrentaram horas de espera para reconhecer e liberar os corpos. A estudante Fernanda Silva Rocha acompanhava a liberação do corpo do tio, encontrado morto em casa na noite anterior. Chegando ao IML ainda pela manhã, ela relatou que, mesmo após meio-dia, o reconhecimento não havia sido concluído. Fernanda classificou o atendimento como “um descaso por parte do Estado”, destacando a falta de acolhimento em um momento delicado.
Leia também: Ônibus de turismo tomba na Serra de Petrópolis e deixa 10 mortos
Leia também: Grand Hyatt Rio de Janeiro: Descubra o Refúgio na Barra da Tijuca que Vai Além do Óbvio
Matheus Almeida, auxiliar de topógrafo, também expressou preocupação com a demora no IML. O cunhado dele morreu após ser atropelado na Rodovia Presidente Dutra, em Paracambi, e o corpo só foi levado ao IML no domingo. Matheus teme que a família fique sem velório devido à demora na liberação, traduzindo o sentimento de muitos familiares que dependem do serviço para realizar o último adeus.
Posicionamento da Polícia Civil e funcionamento do IML
A Polícia Civil esclareceu que o IML de Nova Iguaçu possui equipe completa de médicos-legistas e outros profissionais capacitados para atender a demanda. Ressaltou que o tempo para liberação dos corpos varia conforme a complexidade dos exames periciais, o que pode prolongar o atendimento sem que isso signifique falta de estrutura ou de pessoal.
Quanto ao IML de Duque de Caxias, a Polícia Civil informou que apenas as necropsias estão suspensas devido às obras. Os demais serviços continuam funcionando normalmente. Enquanto isso, o IML de Nova Iguaçu segue como a única unidade da Baixada Fluminense realizando exames cadavéricos, o que tem causado acúmulo e atrasos significativos no atendimento.
Leia também: Rio de Janeiro cria Comitê Pop Rua com participação igualitária da sociedade civil
Leia também: Cadela é Resgatada de Maus-Tratos em Nova Iguaçu Após Denúncia de Moradores
Impacto imediato para as famílias e próximos passos
A situação atual no IML de Nova Iguaçu evidencia a fragilidade do sistema de atendimento na região e o impacto direto nas famílias que aguardam a liberação dos corpos para realizar os rituais de despedida. A demora prolongada gera sofrimento adicional em momentos de dor e apreensão, além de preocupações sobre a possibilidade de perderem o velório.
Enquanto as obras no IML de Duque de Caxias seguem, a demanda deve continuar concentrada em Nova Iguaçu, mantendo o cenário de filas e esperas extensas. Monitorar a evolução da situação e a resposta das autoridades será fundamental para garantir que as famílias tenham o suporte necessário e que o atendimento seja agilizado o quanto antes.

