Um Rio de Janeiro pós-catástrofe nas telonas
O filme Corrida dos Bichos chama a atenção logo nos primeiros minutos por fugir do padrão tradicional do cinema brasileiro, alcançando uma escala que lembra grandes produções hollywoodianas. Disponível no Prime Video, o longa traz nomes como Rodrigo Santoro, Isis Valverde e Bruno Gagliasso no elenco, além de contar com Fernando Meirelles entre os diretores. A trama se desenrola em um Rio de Janeiro devastado por uma catástrofe ambiental, onde a cidade foi dividida em castas sociais e a Corrida dos Bichos, uma competição brutal entre pessoas controladas por magnatas, se tornou o entretenimento principal da população.
A força dos efeitos visuais na construção do universo distópico
Embora a Amazon não tenha divulgado o orçamento, a produção é considerada uma das mais caras do cinema nacional recente e envolveu mais de 800 profissionais. As filmagens aconteceram entre maio e julho de 2024, seguidas por aproximadamente um ano e meio dedicado à pós-produção, etapa fundamental para a criação dos efeitos visuais (VFX) que deram vida ao cenário desolado do filme.
Sob a direção de Sandro Di Segni, que já trabalhou em produções internacionais como O Homem de Aço e Príncipe da Pérsia, uma equipe de 140 especialistas dedicou 20 meses para desenvolver 23 minutos de efeitos visuais distribuídos em 475 planos, além da criação de 30 elementos tridimensionais (assets 3D). Um dos maiores desafios foi transformar a orla de Copacabana, substituindo o mar por um vasto deserto onde um cruzeiro aparece encalhado, simbolizando o abandono e a destruição da cidade.
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Fonte: atividadenews.com.br
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
VFX como ferramenta narrativa e técnica
Di Segni explica que os efeitos visuais no audiovisual se dividem em três categorias: o VFX invisível, que aprimora cenas sem ser percebido pelo espectador; o VFX pontual, que cria elementos específicos como explosões ou criaturas; e o VFX narrativo, que constrói ambientes e mundos inteiros essenciais para a história, como o caso de Corrida dos Bichos. A decisão de usar o VFX narrativo foi tomada antes das filmagens, equilibrando o uso de efeitos práticos para garantir a imersão dos atores e a autenticidade dos cenários.
“Não se tratou apenas de substituir o mar por areia”, conta Di Segni. “Foi preciso remover carros, mostrar prédios abandonados e alterar a vegetação para criar uma atmosfera de devastação realista.” Essa colaboração estreita entre a equipe de efeitos, direção de arte e outros departamentos reforçou a construção desse universo distópico de forma convincente.
O avanço da indústria nacional de efeitos visuais
Para o especialista, o trabalho em Corrida dos Bichos destaca o crescimento técnico do Brasil na área de VFX. “O país se posiciona como um importante produtor de efeitos visuais na América Latina e no mercado internacional, com qualidade e volume crescentes”, afirma. A democratização dessas tecnologias abre caminho para que o cinema nacional alcance novos patamares em produções de grande escala. O filme representa um marco significativo para a indústria local, mostrando o que é possível realizar com criatividade e tecnologia no cenário audiovisual brasileiro.

