O papel da UFF na mobilização estudantil pró-Lula
Na esteira da surpreendente virada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições, a Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, tornou-se novamente epicentro da mobilização estudantil. Desta vez, os estudantes saíram às ruas para celebrar a vitória do petista, dando continuidade ao movimento que começou logo após o primeiro turno.
Em 5 de outubro, pouco depois da divulgação dos resultados da primeira etapa da eleição, a UFF foi a primeira universidade a convocar estudantes às ruas. Essa iniciativa inspirou manifestações em diversas instituições de ensino pelo Brasil, mostrando a força da juventude no cenário político nacional. Durante seu discurso de vitória, Lula fez questão de reconhecer e agradecer essa mobilização juvenil.
Estudantes relatam motivações e experiências nas ruas
Jonas Barreto, estudante de Turismo da UFF, relembra que o primeiro ato organizado pelos alunos surgiu de maneira espontânea e orgânica. Ele conta que o Diretório Acadêmico de Turismo se reuniu com outros diretórios acadêmicos, como o do Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS), e acabaram se juntando ao grupo de Direito que já estava na rua.
Para Jonas, a combinação de sentimentos como raiva e medo diante do avanço da extrema direita, aliada ao trumpismo, foi o que impulsionou a presença dos estudantes nas ruas. “O medo paralisa, mas também pode dar força. Foi isso que nos manteve nas ruas por três semanas, uma esperança que começou na UFF”, afirma ele, que participou de pelo menos 13 atos depois do primeiro turno.
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Simão Gabriel, estudante de Direito, reforça a simbologia da UFF como ponto de partida para a mobilização. Ele lembra que a preparação começou na madrugada de domingo e, na manhã seguinte, o movimento já reunia muitos estudantes e diretórios interessados. “Ver aquela multidão na noite de segunda foi algo inexplicável. A UFF tem uma cultura de ser subversiva e defender suas crenças. Não poderia ter sido em outro lugar”, comenta.
Celebrando a vitória e reforçando o engajamento
Na manifestação desta segunda-feira, centenas de jovens se reuniram na Faculdade de Direito, no bairro do Ingá, e seguiram em caminhada até a reitoria da universidade, em Icaraí. Entre os gritos de apoio a Lula e críticas a Flávio Bolsonaro, a energia dos estudantes transparecia a importância do momento.
Manuela Thomaz, estudante de Pedagogia de apenas 18 anos, destaca sua participação ativa nos atos desde o primeiro turno. Ela coleciona adesivos do presidente eleito e acredita no poder da juventude para transformar a realidade. “A UFF mostrou que é protagonista. A juventude unida pode mudar o mundo”, afirma.
Além dos atuais estudantes, ex-alunos também marcaram presença e expressaram orgulho pela universidade. Anderson Calixto, arquiteto formado pela UFF em 2006, enfatizou a mobilização nacional que os estudantes conseguiram promover. Ele estava acompanhado de sua cachorrinha Celeste Cristina, vestida a caráter com uma roupa vermelha, símbolo da campanha petista.
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Fonte: edemossoro.com.br
O chamado à permanência nas ruas até a posse de Lula
Durante o ato, Luisa Muller, presidenta da União Estadual dos Estudantes do Rio de Janeiro, dirigiu uma mensagem de alerta e incentivo para que os estudantes mantenham a mobilização. Ela lembrou a importância da luta para garantir a posse do presidente Lula e o papel fundamental do movimento estudantil nesse processo.
“A UFF foi essencial para conquistar o tetra do presidente operário. Esse levante que começou aqui em Niterói não pode parar. Precisamos continuar nas ruas para assegurar a posse e defender o futuro do Brasil”, afirmou Luisa.
Reconhecimento público de Lula à mobilização da juventude
No discurso de vitória, Lula agradeceu especialmente à juventude que coordenou e participou intensamente da campanha. “Tenho que agradecer ao povo brasileiro pela generosidade e, em especial, à juventude brasileira”, declarou, reafirmando a importância do engajamento dos jovens para o resultado eleitoral e para a política nacional.

