Resgates em Niterói refletem adaptação dos jacarés ao ambiente urbano
De 1º de janeiro a 19 de outubro de 2026, o Corpo de Bombeiros (CBMERJ) registrou o resgate de oito jacarés em Niterói, sendo cinco deles somente nos últimos três meses na Região Oceânica. Para o biólogo e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Jorge Pontes, esse aumento está relacionado a fatores sazonais, ambientais e também à maior visibilidade desses casos nas redes sociais.
Fatores sazonais influenciam o comportamento dos jacarés
Entre outubro e março acontece o período reprodutivo do jacaré-de-papo-amarelo, espécie comum da Mata Atlântica. Nesta fase, os animais se tornam mais ativos, buscando expandir território e encontrar locais adequados para a construção dos ninhos. Além disso, o aumento das chuvas favorece o deslocamento dos répteis, facilitando sua movimentação em áreas urbanas.
Segundo o Corpo de Bombeiros, no mesmo período do ano anterior não houve registros de jacarés no sistema da corporação, o que reforça a importância dos fatores ambientais e sociais para a maior identificação desses animais.
Habitat natural e adaptação às redes pluviais
A Região Oceânica é o habitat natural dos jacarés-de-papo-amarelo. O aparecimento desses animais em redes pluviais está ligado ao avanço urbano e à supressão de áreas verdes. Essas galerias oferecem um equilíbrio térmico favorável, permitindo que os jacarés se desloquem por quilômetros. Embora não haja dados oficiais, existe a possibilidade de que eles se alimentem de roedores que habitam essas redes, demonstrando uma adaptação às mudanças no ambiente.
O professor Jorge Pontes também destaca que os jacarés são territoriais e podem se mover para disputar espaço entre machos. Essa dinâmica reforça a necessidade de conscientização da população para conviver com esses animais sem riscos.
Cuidados e convivência com jacarés em áreas urbanas
Para evitar conflitos, é importante que a população evite passear com animais de estimação em áreas onde os jacarés são comuns. As fêmeas, especialmente quando protegendo ovos no ninho, podem apresentar comportamento agressivo por instinto. Além disso, capturar e soltar jacarés em locais inadequados pode interferir na dinâmica natural da espécie.
O biólogo é coorientador de uma pesquisa de mestrado que investiga a presença oficial dos jacarés no sistema lagunar da Região Oceânica. Ele também relembra um caso de janeiro deste ano, quando uma cadela foi atacada durante uma trilha em Itaipu.
Casos recentes de resgate e manejo seguro
Na última semana, um jacaré macho adulto com 2,24 metros e 62 quilos foi resgatado em uma galeria de águas pluviais no condomínio Amoli, em Itaipu. O Corpo de Bombeiros (CBMERJ) utilizou técnicas específicas para capturar o animal, que foi avaliado por um veterinário e estava em boas condições de saúde, apesar de uma pequena escoriação no nariz. O réptil foi solto no Canal do Camboatá, que conecta as lagunas de Itaipu e Piratininga, garantindo seu retorno ao habitat natural.
Em setembro, outro jacaré-de-papo-amarelo, com quase dois metros e cerca de 45 quilos, foi localizado camuflado em um canteiro na Avenida Augusto Ferreira Ramos, próximo ao Rio João Mendes, em Itaipu. Uma moradora que passava com seu cachorro acionou o Corpo de Bombeiros, que isolou o local e realizou o resgate.
Orientações para a população
O Corpo de Bombeiros (CBMERJ) é responsável pelo manejo e captura desses répteis em áreas urbanas, garantindo a segurança da comunidade e a integridade dos animais. Ao avistar um jacaré, a recomendação é acionar imediatamente o telefone 193 e manter distância segura. A população deve evitar tentar assustar, ferir ou capturar o animal, inclusive atirando pedras, para prevenir acidentes e preservar a fauna local.

