Protagonismo Feminino no Esporte Paralímpico
O mês das mulheres é uma oportunidade perfeita para destacar histórias de superação e conquistas no esporte paralímpico brasileiro. As atletas do Time SP têm se destacado em competições tanto nacionais quanto internacionais, elevando o Brasil a patamares de excelência na modalidade. Mariana D’Andrea, uma paulista de 28 anos, é um exemplo inspirador dessa nova era. Ela fez história ao conquistar as primeiras medalhas de ouro do halterofilismo brasileiro, tanto em Jogos Paralímpicos quanto em Campeonatos Mundiais.
O grande feito de Mariana aconteceu durante os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, onde competiu na categoria até 73kg e levantou impressionantes 137kg, superando a chinesa Lili Xu, que ficou com a medalha de prata. Mas suas conquistas não pararam por aí. Em agosto de 2023, em Dubai, ela voltou a fazer história ao garantir o primeiro ouro do Brasil em um Mundial da modalidade. Nesta ocasião, ergueu 151kg na categoria até 79kg, batendo a nigeriana Bose Omolayo e estabelecendo também um novo recorde mundial. Natural de Itu (SP), Mariana iniciou sua jornada no esporte aos 15 anos, após ser incentivada por seu técnico, Valdecir Lopes, e se tornou uma referência em uma modalidade que conquistou sua primeira medalha mundial em 2014, com o bronze de Márcia Menezes.
Aline Rocha: Uma História de Superação
Outro nome que se destaca é Aline Rocha, paranaense que, em janeiro de 2023, fez história ao conquistar a primeira medalha de ouro do Brasil em um Mundial de esqui cross-country paralímpico, realizado em Östersund, na Suécia. Aos 33 anos, ela venceu a prova sprint de 1 km, completando o percurso em 3min10s38. Além do ouro, Aline conquistou dois bronzes nas provas de 10 km e 18 km. Sua trajetória no esporte começou em 2017 e, no ano seguinte, ela se tornou a primeira mulher brasileira a competir nos Jogos Paralímpicos de Inverno em PyeongChang 2018, na Coreia do Sul. Desde 2015, Aline é paraplégica devido a um acidente de carro, mas isso não a impediu de se destacar também no atletismo em cadeira de rodas.
Em 2024, Aline ampliou seu pioneirismo ao se tornar a primeira brasileira cadeirante a conquistar a mandala das World Marathon Majors, após completar as seis principais maratonas do mundo, encerrando esse desafio com um tempo de 1h44min20 nos 42,195 km da última etapa.
Sabrina Custódia: Superação na Ciclismo
A trajetória de Sabrina Custódia é marcada por desafios e vitórias. Aos 18 anos, ela sofreu um grave acidente que resultou na amputação das duas mãos e do pé direito. Após meses de internação e reabilitação, ingressou no atletismo, onde conquistou experiência durante nove anos. Durante a pandemia, Sabrina foi apresentada ao ciclismo pelo atleta Adriano Matunaga, que a incentivou a se dedicar a essa nova modalidade. Hoje, aos 34 anos, Sabrina é a primeira atleta brasileira a estabelecer um recorde mundial no paraciclismo. Esse feito foi concretizado durante o Campeonato Mundial de Paraciclismo 2025, realizado em outubro no Rio de Janeiro, onde conquistou ouro, além de duas pratas e um bronze. Seu currículo também inclui um ouro com recorde das Américas nos 500m contrarrelógio C1-5 nos Jogos Parapan-Americanos de Santiago 2023 e títulos em competições nacionais e internacionais.
Beth Gomes: O Retorno ao Esporte
A história de Beth Gomes também merece destaque. Diagnosticada com esclerose múltipla após uma carreira dedicada ao vôlei, Beth teve que deixar as quadras, mas encontrou um novo caminho no basquete em cadeira de rodas. Inicialmente relutante, ela decidiu experimentar a modalidade e rapidamente se tornou uma atleta de destaque, representando o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Pequim 2008. Com o tempo, Beth diversificou sua atuação esportiva e, desde 2011, integra a seleção brasileira de atletismo, conquistando diversas medalhas em arremesso de peso, disco e dardo. Sua consagração paralímpica começou nos Jogos de Tóquio 2020, onde, aos 56 anos, conquistou seu primeiro ouro, estabelecendo ainda um recorde no arremesso de peso.
A consagração mais recente de Beth veio nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, onde foi porta-bandeira da delegação brasileira e conquistou a medalha de ouro no arremesso de peso da classe F53, com uma marca impressionante de 17,37m — um novo recorde paralímpico. Além disso, ela garantiu a prata na prova combinada das classes F53/F54, o que lhe rendeu também o recorde mundial da classe F53.

