A importância da escolha dos senadores para o Rio de Janeiro
O processo eleitoral para o Senado muitas vezes é ofuscado pela polarização da disputa presidencial, como se os candidatos ao Congresso fossem meras extensões dos palanques nacionais. Essa visão simplista desconsidera o impacto que a escolha dos senadores terá nos próximos oito anos. Em 2026, os eleitores do Rio de Janeiro terão a oportunidade de eleger dois representantes que atuarão no Senado entre 2027 e 2035, um período que atravessará dois mandatos presidenciais e decisões cruciais para o estado.
O papel dos senadores vai além do discurso político. Eles votam leis, reformas constitucionais e o Orçamento da União, fiscalizam o Executivo, analisam indicações para órgãos como Supremo Tribunal Federal, Banco Central e Procuradoria-Geral da República, autorizam operações financeiras de interesse dos estados e municípios e participam de processos de impeachment. Para o Rio de Janeiro, marcado por desafios fiscais, sociais e institucionais, eleger senadores capacitados é uma decisão estratégica.
Por que o Diário do Rio recomenda Pedro Paulo (PSD) e Carlos Portinho (PL)
O Diário do Rio mantém sua tradição de posicionamento claro e indica como escolhas para o Senado Pedro Paulo (PSD), número 555, e Carlos Portinho (PL), número 222. A recomendação não está vinculada aos palanques presidenciais, pois ambos pertencem a campos políticos distintos. A escolha baseia-se na análise da atuação parlamentar, capacidade técnica, experiência consolidada e competência administrativa demonstrada por esses candidatos.
O Senado exige preparo técnico, articulação e experiência. Mesmo que o eleitor tenha preferências distintas para a Presidência da República ou para o Governo do Estado, deve reconhecer que a representação no Senado demanda uma postura que transcende alinhamentos partidários e ideológicos, focando na defesa dos interesses do Rio de Janeiro em Brasília.
Pedro Paulo: gestão pública e responsabilidade fiscal
Economista e mestre, Pedro Paulo está em seu quarto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados, desde 2011. Antes disso, foi deputado estadual e ocupou cargos no Executivo municipal do Rio de Janeiro. Essa experiência abrange tanto a elaboração legislativa quanto a gestão pública, incluindo a administração orçamentária e a entrega de resultados concretos.
Sua chapa conta com Miro Teixeira (PDT) como primeiro suplente e Sávio Neves (PSDB) como segundo. Pedro Paulo tem como uma de suas principais credenciais a gestão das contas públicas. Entre 2021 e 2022, esteve à frente da Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento na gestão do prefeito Eduardo Paes (PSD), período marcado por desafios financeiros para a capital.
Dados oficiais indicam que o município iniciou 2021 com apenas R$ 12 milhões em caixa e dívidas próximas de R$ 6 bilhões. Ao final daquele ano, a disponibilidade financeira subiu para R$ 6,7 bilhões. Além disso, a despesa com pessoal do Executivo caiu de 56,2% para 48,7% da Receita Corrente Líquida, permitindo o retorno aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Esses resultados decorreram de revisão de despesas, recuperação da arrecadação, planejamento financeiro e maior controle dos gastos. Essa solidez financeira é fundamental para que a prefeitura honre compromissos, invista e mantenha serviços essenciais.
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De volta à Câmara dos Deputados, Pedro Paulo integra comissões ligadas às finanças públicas e à segurança. Em 2025, foi designado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), para coordenar um grupo de trabalho que elaborou proposta de Reforma Administrativa, contemplando emenda à Constituição, projeto de lei complementar e projeto de lei ordinária. Os textos tratam de concursos públicos, cargos comissionados, planejamento e combate a supersalários.
Pedro Paulo defende a estabilidade dos servidores, aposta na profissionalização da administração pública e busca reduzir privilégios incompatíveis com a realidade fiscal do país. Essa experiência técnica e capacidade de diálogo são essenciais para a condução de reformas complexas.
Além disso, sua proposta de atuação alcança os 92 municípios do estado. Durante a campanha, percorreu regiões Norte, Noroeste e Serrana, dialogando com prefeitos e lideranças locais. Assume compromisso de destinar recursos sem discriminação partidária, reconhecendo a importância de atender tanto a capital quanto os municípios do interior, que dependem da interlocução com Brasília para obras e melhorias em saúde, educação e infraestrutura.
Carlos Portinho: experiência e resultados no Senado
Advogado formado pela PUC-Rio, com especializações em Direito Esportivo, Público e Tributário, Carlos Portinho assumiu o Senado em 2020, após a morte do senador Arolde de Oliveira, de quem era primeiro suplente. Sua atuação é reconhecida pelo domínio técnico, pela articulação e pela participação efetiva na elaboração de propostas legislativas.
Portinho foi secretário municipal de Habitação do Rio e secretário estadual de Meio Ambiente, experiências que ampliaram seu conhecimento sobre desafios urbanos e regulatórios. Sua chapa para reeleição inclui Samuel Malafaia como primeiro suplente e Marcelinho como segundo.
O senador dedica especial atenção ao esporte, setor no qual possui formação e conhecimento prático. Participou da regulamentação da Lei Geral do Esporte, da Lei de Incentivo ao Esporte e das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Apresentou emenda na Reforma Tributária que foi acolhida pelo relator Eduardo Braga (MDB), reduzindo alíquotas para o regime fiscal do futebol e estabelecendo regras para receitas na transferência de atletas.
Essa atuação tem impacto direto no Rio, estado com grandes clubes e uma cadeia econômica que envolve atletas, fornecedores, entidades esportivas e setores correlatos.
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Portinho também defende o empreendedorismo, buscando atualizar as regras do Microempreendedor Individual (MEI) e das micro e pequenas empresas, essenciais para os municípios fluminenses. Em 2026, cobrou a votação na Câmara de projeto aprovado no Senado que amplia o limite anual de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 144 mil e permite a contratação de mais um funcionário, medidas que facilitam o crescimento de pequenos negócios.
Além disso, atua para preservar benefícios tributários de entidades culturais e do terceiro setor, reconhecendo a relevância dessas organizações para a economia criativa e social do Rio.
Na área das apostas eletrônicas, Portinho se posiciona contra a expansão indiscriminada do setor. Em 2023, apresentou emenda para limitar as apostas a eventos esportivos reais, aprovada no Senado, embora não tenha permanecido no texto final. Foi relator do Projeto de Lei 2.985/2023, que restringe a publicidade das empresas de apostas, proibindo propagandas durante partidas e limitando a participação de influenciadores, protegendo o público jovem.
Essa postura demonstra sua capacidade de manter convicções e negociar avanços concretos, mesmo diante de resistências políticas.
Portinho também participou das discussões sobre o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), votando a favor em 2024. O programa oferece alternativas para o refinanciamento das dívidas estaduais, crucial para o Rio, que enfrenta dificuldades em administrar seus compromissos com a União. Essa atuação reflete sua compreensão da importância de matérias nacionais para o cotidiano do estado.
Dois votos, uma escolha pela competência
Pedro Paulo e Carlos Portinho apresentam trajetórias distintas, porém convergem na qualidade do trabalho parlamentar, experiência consolidada e capacidade de articulação. Pedro Paulo destaca-se pela gestão pública e responsabilidade fiscal, enquanto Portinho acumula experiência no Senado com foco em esportes, empreendedorismo, regulação das apostas e defesa dos interesses fiscais do Rio.
O Senado exige conhecimento técnico, equilíbrio e disposição para atuar em temas complexos. Os mandatos iniciados em 2027 terão duração até 2035, período no qual o Rio e o país enfrentarão novos desafios. Por isso, o Diário do Rio recomenda que os eleitores fluminenses destinem seus dois votos a Pedro Paulo (555) e Carlos Portinho (222), não por alinhamentos partidários, mas pela competência e resultados demonstrados.

