Crescimento acelerado das dívidas pessoais em Niterói
Em Niterói, o volume total das dívidas pessoais atingiu R$ 2,07 bilhões, um salto de 20,1% em relação ao ano anterior, enquanto o número de consumidores inadimplentes subiu apenas 3,4%. O fenômeno revela que, embora o número de pessoas com dívidas cresça lentamente, o montante devido por cada uma aumenta de forma considerável, pressionando ainda mais o orçamento familiar.
Rodrigo Santos, auxiliar administrativo do Fonseca, é um exemplo dessa realidade. Em 2021, ele tomou um empréstimo de R$ 20 mil para cobrir despesas acumuladas. Para evitar atrasos, passou a usar o cartão de crédito para pagar as parcelas do próprio empréstimo, mas a estratégia só funcionou por um tempo. Conforme as faturas aumentavam, outras contas foram se acumulando, criando uma bola de neve que dificultou o controle financeiro.
Dados do Mapa da Inadimplência da Serasa
Entre julho de 2025 e julho deste ano, o número de consumidores negativados em Niterói passou de 231.032 para 238.827, enquanto o volume de dívidas saltou de 999.118 para 1.072.190 registros. A dívida média por consumidor subiu de R$ 7.456,03 para R$ 8.662,81, um aumento de 16,2%. Além disso, o valor médio de cada dívida subiu para R$ 1.929,62, enquanto a quantidade de débitos por CPF passou de 4,3 para 4,5.
Impacto econômico e análise do Conselho de Economia
Wanderson Castro, diretor do Conselho de Economia, destaca que o crescimento expressivo nos valores das dívidas indica um aprofundamento da inadimplência, não apenas uma expansão do número de consumidores negativados. “O que vemos é que as pessoas já endividadas estão acumulando débitos maiores”, explica.
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Fonte: parabelem.com.br
O cenário é reforçado pela evolução mensal dos dados: em janeiro de 2025, havia 227.652 consumidores negativados com dívidas que somavam R$ 1,53 bilhão. Em abril deste ano, os débitos ultrapassaram pela primeira vez os R$ 2 bilhões, com o número de inadimplentes atingindo 239.833, embora tenha recuado levemente até julho, enquanto o valor total das dívidas continuou crescendo.
Juros elevados e inflação pressionam orçamento familiar
Castro relaciona o aumento das dívidas à combinação da inflação e da elevação da taxa básica de juros. A Selic chegou a 15% em meados de 2025 e permaneceu nesse patamar até iniciar queda em 2026. No cartão de crédito rotativo, os juros são ainda mais altos, o que prejudica a capacidade das famílias de absorber imprevistos financeiros.
“A inflação reduziu o poder de compra, o crédito facilitado manteve as despesas, mas os juros altos transformaram a situação numa armadilha. Quem já comprometia grande parte da renda com parcelas perdeu margem para enfrentar despesas inesperadas”, afirma o economista.
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Fonte: atividadenews.com.br
Mercado de trabalho e reflexos na inadimplência
O mercado formal de trabalho também influencia o cenário. Dados do Novo Caged indicam que Niterói fechou 2024 com saldo positivo de 7.600 empregos, mas esse número caiu para 1.900 em 2025. No primeiro semestre de 2026, houve recuperação, com saldo de 4.200 vagas. Porém, essa melhora ainda não se refletiu completamente nos registros da Serasa, que podem representar decisões financeiras tomadas meses antes.
Contexto populacional e proporção de inadimplentes
Com uma população estimada em 516.787 habitantes pelo IBGE em 2025, os 238.827 consumidores negativados equivalem a 46,2% do total. Essa proporção não indica que quase metade da população está endividada, pois o cadastro da Serasa considera apenas consumidores com dívidas vencidas, enquanto o total populacional inclui crianças, adolescentes e pessoas fora do mercado de crédito.
O crescimento das dívidas em Niterói reflete um quadro preocupante para a economia local, impactando diretamente o poder de consumo e a estabilidade financeira das famílias. A alta nos valores e na quantidade de débitos mostra que a inadimplência deixou de ser um problema isolado para se transformar em um entrave mais complexo para a recuperação econômica da cidade.

