Premiação nacional destaca educadoras de Itanhaém
Três professoras da rede municipal de Itanhaém foram selecionadas em todo o Brasil pelo Edital de Boas Práticas do Programa Literatura Atlântica, promovido pelo Instituto Coral Vivo. A cerimônia de premiação ocorrerá no Rio de Janeiro, nos dias 6 e 7 de novembro, e reconhecerá os trabalhos que envolvem educação ambiental e cultura oceânica nas escolas da cidade.
Projetos que ampliam horizontes e transformam realidades
Fabiula Berti, professora da EM Leonor Mendes Barros desde 1999, conta que um dos momentos mais marcantes de sua carreira envolveu um aluno do Baixio, filho de pescadores. Ao visitá-lo em casa, ela o convenceu a voltar para a escola, e, após ser alfabetizado, o menino passou a sonhar não apenas em pescar, mas também em ser biólogo marinho. Para Fabiula, essa história ilustra como a educação pode abrir novas possibilidades para as crianças.
Agora, Fabiula segue para o Rio de Janeiro, acompanhada das professoras Kelva Aires, também da EM Leonor, e Bárbara Suelen, da EM Luiz Gonzaga, para receber menção honrosa pelas experiências pedagógicas que promovem a preservação dos ecossistemas marinhos e sensibilizam os estudantes para a importância da conservação ambiental.
A sala de aula além dos muros da escola
O projeto de Fabiula começou com uma simples caminhada até a Boca da Barra, onde as crianças puderam observar a confluência do Rio Itanhaém com o mar e perceber a biodiversidade local. A iniciativa se expandiu para passeios familiares pelo rio, atividades artísticas e campanhas ambientais como o projeto Tampinhas Solidárias, que já recolheu quase 10 mil tampinhas do meio ambiente.
As crianças incorporaram práticas sustentáveis em seu cotidiano, como recolher lixo na praia e incentivar suas famílias a fazer o mesmo. Para Fabiula, esse aprendizado tem impacto direto, pois muitas famílias da região dependem do mar para seu sustento, tornando essencial a conscientização sobre a preservação ambiental.
Literatura como porta para o universo marinho
Na EM Leonor Mendes Barros, Kelva Aires utilizou livros do Programa Literatura Atlântica para despertar o interesse das crianças pelo oceano. Obras como “Tá Limpo!” e “Grude-Grude” trouxeram histórias lúdicas que facilitaram a compreensão da importância da vida marinha.
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Fonte: alagoasinforma.com.br
A professora relata que nunca imaginou que seu projeto fosse premiado. Para ela, a experiência mais marcante foi a sala imersiva que reproduziu o fundo do mar, onde as crianças reconheceram animais e discutiram, com sua própria linguagem, os impactos do lixo no oceano e a necessidade de cuidados.
Kelva reforça que, vivendo no litoral, os estudantes precisam entender desde cedo a relação de respeito com o mar, rios, oceanos e manguezais que fazem parte do cotidiano de Itanhaém.
Educação inicial com conexão ao meio ambiente
Na EM Luiz Gonzaga, Bárbara Suelen desenvolveu um projeto com bebês a partir de um livro, integrando o universo marinho às atividades diárias. Para ela, o contato com um polvo real e a experiência do túnel sensorial que reproduzia o fundo do mar foram momentos inesquecíveis que aproximaram os pequenos da biodiversidade.
Surpresa com a premiação, Bárbara destaca a importância de representar Itanhaém em um evento nacional e valorizar o trabalho educacional voltado para a conscientização ambiental.
Um legado que ultrapassa as salas de aula
As três professoras compartilham a missão de formar crianças conscientes da responsabilidade ambiental e do pertencimento ao seu território. Para Fabiula, o reconhecimento é também um marco pessoal, fruto de quase três décadas dedicadas à educação pública em Itanhaém.
O trabalho delas vai além do prêmio: são gestos cotidianos, como recolher tampinhas e sensibilizar familiares, que consolidam um aprendizado duradouro sobre a importância do oceano e do cuidado com o meio ambiente.
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Fonte: ctbanews.com.br
Educação ambiental enraizada no território
Carol Peres, coordenadora da Educação Ambiental, destaca que em Itanhaém o mar, rios e manguezais são parte vital da história e da vida da população. Levar esses elementos para as escolas torna o aprendizado mais concreto e conectado à realidade dos estudantes.
Assim, os projetos premiados criam um legado. Diferentes em abordagem, mas unidos no objetivo de formar crianças capazes de valorizar e proteger o lugar onde vivem.
O Programa Literatura Atlântica e o Instituto Coral Vivo
O Programa Literatura Atlântica utiliza livros e atividades pedagógicas para aproximar crianças e educadores da biodiversidade marinha, fortalecendo a cultura oceânica e promovendo a educação ambiental.
Em 2026, o Instituto Coral Vivo lançou um edital nacional para reconhecer iniciativas pedagógicas que trabalhassem temas ligados ao mar, com critérios como inovação, impacto comunitário e alinhamento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). As experiências selecionadas participarão do encontro no Rio de Janeiro e integrarão o Portfólio de Boas Práticas do programa.
Desde 2003, o Projeto Coral Vivo atua na conservação dos ambientes costeiros por meio de pesquisa, educação, comunicação e políticas públicas, com patrocínio da Petrobras via Programa Petrobras Socioambiental.

