Fluxo Cambial em Alta no Primeiro Semestre
O Brasil registrou uma entrada expressiva de dólares no primeiro semestre, com saldo positivo de US$ 17,78 bilhões (equivalente a R$ 91 bilhões), conforme dados divulgados pelo Banco Central. Este montante representa o melhor resultado em fluxo cambial desde 2018, ano em que o país recebeu US$ 22,52 bilhões em termos nominais.
Esse desempenho inverte a tendência negativa observada em 2025, quando o país sofreu a maior saída líquida da série histórica do Banco Central, totalizando US$ 14,34 bilhões no primeiro semestre.
Investimentos e Exportações como Motores do Crescimento
O avanço se deve, em grande parte, ao fortalecimento das exportações, impulsionadas principalmente pelo aumento do preço do petróleo. Paralelamente, o fluxo de investimento estrangeiro direto também colaborou para a valorização do real frente ao dólar.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
A redução dos juros nos Estados Unidos e a instabilidade associada ao governo de Donald Trump têm levado investidores a diversificar suas aplicações, ampliando o capital destinado a economias emergentes como o Brasil. “Para o investidor, é difícil achar países grandes com estabilidade, especialmente entre emergentes. E aí, o Brasil se destaca”, afirma Henrique Aguiar, diretor da Nova Futura.
Na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o saldo de investimento estrangeiro atingiu R$ 36,7 bilhões nos primeiros seis meses do ano, superando os R$ 26,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Perspectivas e Desafios para o Segundo Semestre
Apesar do cenário favorável no início do ano, economistas indicam uma possível reversão na segunda metade de 2026. As expectativas apontam para uma menor redução nas taxas de juros tanto nos Estados Unidos quanto na Selic brasileira. Além disso, a persistência das tensões no Oriente Médio e o avanço das eleições presidenciais no Brasil ampliam a aversão ao risco entre investidores.
Em junho, o segmento financeiro já demonstrava sinais de retração, com saídas líquidas relevantes, conforme destacado pelo Itaú BBA. O banco revisou suas projeções para a taxa de câmbio, elevando a expectativa para R$ 5,30 em 2026 e R$ 5,50 em 2027.
Na mesma linha, o BTG Pactual atualizou sua previsão para o câmbio no fim de 2026, de R$ 4,90 para R$ 5,40, citando dados econômicos dos EUA mais fortes que o esperado e uma inflação persistente. Essa conjuntura deve levar o Federal Reserve a manter uma postura mais rigorosa na política monetária.
Para os próximos meses, espera-se que o fluxo comercial continue positivo, enquanto a volatilidade no fluxo financeiro deve persistir. Outro fator que pode pressionar os juros é a inflação, especialmente diante do aumento dos preços de insumos agrícolas, como fertilizantes, devido ao conflito no Oriente Médio, além dos efeitos esperados do fenômeno climático El Niño, que deve impactar os preços dos alimentos.

