Impacto da Decisão do STF
Após um longo período de 13 anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) revisita um tema de grande relevância para a economia nacional: a distribuição de royalties e participações especiais provenientes da exploração de petróleo. O plenário do STF irá analisar ações que questionam a constitucionalidade da Lei 12.734, que foi aprovada em 2012 e que alterou significativamente a forma como a renda do petróleo é dividida entre os entes federais.
A nova legislação visava ampliar a participação dos estados e municípios não produtores, como o Rio Grande do Sul, na receita gerada pela exploração de petróleo. Entretanto, um ano após sua aprovação, a ministra Cármen Lúcia suspendeu os efeitos da lei, concentrando assim a compensação nos estados que efetivamente produzem petróleo.
Uma Nova Divisão dos Royalties
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O cerne da discussão em pauta é como os royalties e participações especiais serão redistribuídos. Caso a lei seja considerada constitucional pelo STF, haveria uma redistribuição mais ampla dos valores entre os estados e municípios. Atualmente, a União recebe cerca de 30% da totalidade dos royalties, conforme estimativas da consultoria ES Petro. Se a nova norma for validada, essa porcentagem poderá cair para 20%. Além disso, estados e municípios produtores que, hoje, detêm 61% dos royalties, veriam sua fatia reduzida para 26%.
Por um lado, federações que representam municípios e alguns estados defendem uma distribuição mais equitativa dos recursos, argumentando que o petróleo é um bem da União e, portanto, sua renda deve ser redistribuída de maneira mais uniforme. Por outro lado, os estados produtores alertam que esse novo modelo os penalizaria, uma vez que suportam os custos e os impactos ambientais da atividade petrolífera.
Movimentos e Ações Recentes
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A Confederação Nacional de Municípios (CNM) tem tomado ações para sensibilizar o STF sobre a importância de uma distribuição mais justa dos royalties. De acordo com a CNM, essa indefinição já resultou em uma perda estimada de R$ 121 bilhões para municípios não produtores ao longo desses quase 14 anos de espera pelo julgamento. A entidade, em conjunto com 20 estados, incluindo o Rio Grande do Sul, assina um acordo em prol de uma repartição equilibrada dos recursos do petróleo.
Por outro lado, associações e municípios dos estados produtores, como o Rio de Janeiro, manifestam preocupação em relação à eventual validação da lei. Recentemente, a ACRJ e a Fecomércio-RJ divulgaram um manifesto contra a mudança, argumentando que a nova partilha pode resultar em perdas econômicas severas para o estado, estimadas em R$ 8 bilhões anuais para o tesouro estadual e R$ 13 bilhões para os municípios.
Perspectivas para o Rio Grande do Sul
O economista-chefe da ES Petro, Edson Silva, afirma que, se a nova lei for aprovada, o Rio Grande do Sul poderá se beneficiar, mesmo sem ser um estado produtor. Ele ressalta que este ano, aproximadamente 30 municípios gaúchos que participam da cadeia produtiva do petróleo receberam cerca de R$ 31 milhões em royalties. Caso a redistribuição ocorra, um número maior de municípios poderá ser contemplado.
Silva enfatiza a necessidade de uma redistribuição da renda gerada pelo petróleo, visto que se trata de um recurso que pertence à União. Ele ressalta, no entanto, que é fundamental que os recursos sejam investidos em infraestrutura e em outros setores que fomentem o desenvolvimento, preparando as regiões para um futuro pós-petróleo. “Não teremos petróleo para sempre”, alerta o especialista, sugerindo que os gestores públicos devem garantir que os benefícios atuais sejam transformados em investimentos duradouros e produtivos.
Além disso, Silva observa que, caso a redistribuição se concretize, mudanças na receita do ICMS sobre petróleo e derivados serão necessárias, a fim de evitar que os estados produtores continuem a enfrentar perdas tanto pela nova partilha quanto pela tributação.

