Desafios e Oportunidades no Setor Petrolífero
A escalada do preço do petróleo no mercado internacional, que teve início em março, tem gerado apreensão entre as principais empresas do setor. TotalEnergies, Shell, ExxonMobil e Chevron, mencionaram em seus relatórios financeiros do primeiro trimestre de 2024 uma redução na produção na região do Oriente Médio, que se tornou o foco de tensões geopolíticas, especialmente após os recentes ataques dos EUA e Israel ao Irã e as respectivas retaliações. Apesar desse cenário desafiador, as companhias conseguiram registrar lucros em meio à crise ao diversificar suas operações em regiões como Brasil, Guiana e Estados Unidos.
Desde o início dos conflitos, a cotação do petróleo disparou, alcançando US$ 126, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, um ponto estratégico que movimenta cerca de 20% do petróleo mundial, impactando diretamente a indústria global de energia. Com o preço médio do barril Brent saltando de US$ 75,73 no primeiro trimestre do ano passado para US$ 81,13 neste ano, as petroleiras buscam novas maneiras de assegurar sua rentabilidade.
Recentemente, o fechamento do barril Brent foi registrado em torno de US$ 95, um marco que ilustra o aumento acentuado dos preços. A Shell, por exemplo, reportou lucros de US$ 6,915 bilhões no primeiro trimestre, superando os US$ 5,577 bilhões do mesmo período de 2023, impulsionados pelo crescimento nas atividades de trading em meio à alta dos preços.
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A CFO da Shell, Sinead Gorman, em sua análise, afirmou que as projeções para a produção no Oriente Médio para o segundo trimestre de 2026 são de 580 mil a 640 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), uma queda significativa em relação aos 909 mil boe/d registrados no primeiro trimestre deste ano.
A produção de petróleo no Brasil: Um Crescimento Necessário
As dificuldades enfrentadas no Catar, onde a unidade Pearl GTL sofreu danos, e as restrições operacionais no Iraque e Emirados Árabes Unidos, representaram cerca de 15% da produção total da TotalEnergies, resultando em uma média de aproximadamente 360 mil barris por dia em abril. No entanto, essa queda foi parcialmente compensada pelo aumento das operações em regiões como o Brasil e a Líbia, que permitiram à TotalEnergies alcançar uma produção total de 2,553 milhões de barris equivalentes de petróleo por dia, marcando um crescimento orgânico de 4% comparado ao ano anterior.
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Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies, destacou a importância da diversificação das operações, como a retomada da construção de projetos de gás natural liquefeito (GNL) em Moçambique, como uma estratégia crucial para enfrentar os desafios do mercado.
Repercussões Para a ExxonMobil e Chevron
A ExxonMobil também relatou um aumento nos lucros no primeiro trimestre, alcançando US$ 4,2 bilhões, embora este valor tenha ficado abaixo dos US$ 7,7 bilhões do ano passado. A empresa enfrentou perdas de US$ 700 milhões em operações de hedge devido a interrupções no fornecimento vindo do Irã e da região do Estreito de Ormuz, mas compensou essas perdas com um aumento significativo na produção na Guiana, que alcançou um recorde de mais de 900 mil barris por dia.
Por outro lado, a Chevron, classificada como operando em um “ambiente externo imprevisível”, reportou lucros de US$ 2,2 bilhões, inferior aos US$ 3,5 bilhões do ano anterior, com a produção se recuperando principalmente devido à aquisição da Hess Corporation. A Chevron também se beneficiou do crescimento nas operações no Golfo do México e na Bacia do Permian, embora ainda enfrente restrições operacionais no Oriente Médio.
Em meio a essa complexa situação, a recuperação das instalações de produção no Oriente Médio deverá levar entre dois a três meses, e as empresas do setor estão atentas ao impacto que essa instabilidade pode ter nos preços globais de hidrocarbonetos, com previsões de que os preços permaneçam elevados durante o segundo trimestre.

