Pressões e Decisões no Cenário Político de São Paulo
Recentemente, o governador Tarcísio de Freitas se viu obrigado a aceitar um acordo que colocou o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro como primeiro-suplente do aliado André do Prado (PL), que é o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e atualmente se posiciona como pré-candidato ao Senado. Além disso, Tarcísio também concordou em indicar o dentista Fernando Fiori de Godoy, ex-prefeito de Holambra, como segundo-suplente, mesmo após Godoy ter chamado o governador de “171” durante a campanha de 2022.
O governador tem manifestado que não participará mais de eventos em que possa atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), como fez no ano passado. Em setembro, quando ainda não havia escolhido o filho como sucessor nas eleições, Tarcísio chegou a se referir ao ministro Alexandre de Moraes como tirano, em um evento que contou com a presença de milhares de pessoas, incluindo o pastor Silas Malafaia.
Redução de Alianças com o Clã Bolsonaro
As agendas frequentes com Flávio Bolsonaro em São Paulo estão, aparentemente, fora dos planos do governador. Embora caminhadas em eventos como a Agrishow, a principal feira do agronegócio do país, ainda possam ocorrer, Tarcísio pretende evitar visitas a áreas dominadas por petistas ao lado de Flávio, temendo que sua rejeição se amplifique. De acordo com os dados da pesquisa Quaest, 38% dos paulistas afirmam que não votariam em Tarcísio sob qualquer circunstância, e essa rejeição aumenta para 53% quando se considera o filho do ex-presidente Bolsonaro.
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Desafios Internos e Relações Políticas
Além das questões relacionadas ao bolsonarismo, Tarcísio enfrenta outras “bolas de ferro” em sua administração que não estão diretamente ligadas à polarização nacional. A gestão do governador, que começou em 2023, foi marcada por uma série de decisões que agora parecem complicar sua administração. Embora estejam programadas agendas na próxima semana em Campinas e Sorocaba com o ex-secretário de Segurança, Guilherme Derrite, para anunciar sua candidatura ao Senado pelo PP, a relação entre Tarcísio e Derrite se deteriorou a ponto de parecer improvável qualquer retorno do ex-integrante da Rota ao governo em um eventual novo mandato. Os dois têm se criticado em ambientes de discussões políticas, mesmo compartilhando o marqueteiro argentino Pablo Nobel.
Tarcísio considera um erro ter confiado o comando das polícias a alguém que, desde o primeiro dia no cargo, já visava um projeto político pessoal. Derrite tem vocalizado a insatisfação do PP, e no final do ano passado, o partido chegou a ameaçar romper a aliança por conta da “falta de atenção” que percebem vinda do governador, segundo uma nota oficial.
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A Relação com Gilberto Kassab e o Futuro Político
A última “bola de ferro” que Tarcísio busca remover está relacionada a Gilberto Kassab, presidente do PSD e ex-secretário de Governo do estado. Apesar de negarem publicamente quaisquer atritos, a verdade é que a relação entre eles se deteriorou após Kassab ser preterido como candidato a vice. Recentemente, Tarcísio confirmou sua chapa com Felício Ramuth, que se filiou ao MDB após deixar o PSD.
Dentro do Republicanos, um novo trio foi formado para substituir Kassab nas relações políticas em São Paulo a serviço do governador: o ex-governador Rodrigo Garcia, o atual secretário de Governo Roberto Carneiro e o ex-tucano Marco Vinholi, que pretende se candidatar a deputado federal. Enquanto isso, uma batalha pela conquista de prefeituras se aproxima, e o PSD, que há dois anos governava 67 cidades, saltou para 206. O Republicanos sob a liderança de Tarcísio, atualmente com 82 municípios, almeja desbancar a legenda de Kassab nas eleições de 2028.

