Início e Contribuições para a TV Globo
Gracindo Jr., nome artístico de Epaminondas Xavier Gracindo, faleceu na noite de terça-feira (1º) no Rio de Janeiro, aos 83 anos. Filho do consagrado ator Paulo Gracindo, ele teve uma carreira marcada por mais de cinco décadas dedicadas às artes cênicas, rádio, televisão e cinema. A notícia foi confirmada por seu filho, Pedro Gracindo, embora a causa da morte não tenha sido divulgada.
Um dos momentos mais significativos da trajetória de Gracindo Jr. foi sua participação na inauguração da TV Globo em 1965. Ele integrou o elenco da primeira novela da emissora, “Rosinha do Sobrado”, consolidando seu nome em produções que se tornaram referências na televisão brasileira. Ao longo dos anos, participou de títulos importantes como “O Casarão”, “O Salvador da Pátria”, “Celebridade” e “Rei Davi”.
Formação e Atuação no Rádio e Teatro
Antes da TV, Gracindo Jr. iniciou sua carreira artística no rádio, estreando aos 15 anos na Rádio Nacional, local onde seu pai alcançava o auge da carreira. Atuou como ator, redator e disc-jóquei, mostrando versatilidade desde cedo. Paralelamente, estreou no teatro em 1961, participando da montagem de “A Escada”, de Oswald de Andrade, ao lado de nomes como Rubens Corrêa e Ivan Albuquerque.
Durante o período da ditadura militar, sua militância no Partido Comunista resultou em cassação em 1964, o que o impediu de trabalhar no rádio. Mesmo diante dos obstáculos, já havia passado por emissoras como TV Rio, TV Excelsior e TV Tupi, consolidando sua experiência audiovisual.
Leia também: Morre Gracindo Júnior, ator que marcou a TV e o teatro brasileiro aos 83 anos
Fonte: feirinhadesantana.com.br
Leia também: Policial condenado por uso excessivo de força em abordagem no DF
Fonte: olhardanoticia.com.br
Direção e Expansão Artística
Além da atuação, Gracindo Jr. também trilhou caminho como diretor. Em 1976, estreou na direção teatral com “A Longa Noite de Cristal”, de Oduvaldo Vianna Filho. Após uma temporada em Portugal, onde dirigiu a peça “É”, de Millôr Fernandes, retornou ao Brasil e assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo em 1978.
Na sequência, dirigiu as novelas “Memórias de Amor” e “Marron-Glacé”, além de trabalhar em programas de variedades e humor. Em 1983, comandou a direção da série “Os Trapalhões” e participou da produção dos primeiros videoclipes musicais exibidos pelo programa “Fantástico”.
Novos Rumos e Presença na Manchete
Em 1984, Gracindo Jr. mudou-se para a TV Manchete, onde protagonizou a novela “A Marquesa de Santos” interpretando Dom Pedro I, formando par romântico com Maitê Proença. Os dois também contracenaram na novela “Dona Beija”, de 1986, que atingiu grande repercussão.
Na Globo, continuou participando de produções relevantes como “Tenda dos Milagres”, “Mandala”, “Rainha da Sucata”, “Deus nos Acuda”, “Explode Coração”, entre outras. Em “Explode Coração”, além de atuar, assumiu a direção das cenas do núcleo cigano.
Leia também: Quando sai a próxima pesquisa eleitoral para presidente da República?
Fonte: belembelem.com.br
Atuação no Cinema e Últimos Projetos
No cinema, acumulou diversos trabalhos ao longo das décadas, com títulos como “Os Homens que eu Tive” (1973), “Os Trapalhões na Serra Pelada” (1982), “Floresta das Esmeraldas” (1985), “Desterro” (1991) e “Segurança Nacional” (2010). Sua versatilidade e comprometimento artístico atravessaram diferentes linguagens e formatos.
Em 2003, participou da novela “Celebridade”, de Gilberto Braga, interpretando Ubaldo Quintela, um personagem complexo que havia passado 15 anos preso pelo assassinato do noivo de Maria Clara Diniz, vivida por Malu Mader.
Legado e Memória Cultural
Gracindo Jr. deixa uma marca profunda na cultura brasileira, não apenas por sua presença em frente às câmeras, mas também pelas contribuições como diretor e pela coragem em manter sua postura política durante um período conturbado da história do país. Sua trajetória evidencia a multiplicidade de caminhos possíveis na arte, demonstrando que o talento pode se expressar em diferentes meios, sempre com autenticidade.
Seu percurso inspira artistas e público, mantendo viva a memória de uma época em que a televisão brasileira se estruturava e se consolidava como espaço de expressão cultural. O legado de Gracindo Jr. segue presente nas produções que fizeram história e na influência que exerceu sobre gerações.

