Arte e ativismo se encontram no Catete
Na movimentada região do Catete, zona sul do Rio de Janeiro, um mural de 11 metros chama a atenção pelo protagonismo feminino e pela denúncia dos impactos da hidrovia Araguaia-Tocantins. A obra retrata três mulheres que representam comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas do rio Tocantins, conectando o público carioca a uma luta que acontece distante, mas com consequências reais para essas populações.
Origem e propósito da obra
Assinado pela artista indiana Shilo Shiv Suleman, fundadora da Fearless Foundation for the Arts, o mural é fruto de uma trajetória que desde 2012 reúne arte e causas sociais. Shilo visita diversas regiões do mundo para documentar a força feminina, denunciar injustiças ambientais e fortalecer a conexão entre povos. A Fearless já produziu 95 murais, todos com foco na escuta ativa das comunidades envolvidas.
“Desenvolvi uma metodologia para que a escuta da comunidade esteja retratada no mural produzido e ela possa se reconhecer. Ao mesmo tempo que denunciamos o modelo do agronegócio aqui no Brasil, na Índia, há protestos semelhantes acontecendo contra o projeto de interligação dos rios Ken e Betwa”, explicou Shilo ao Brasil de Fato.
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Fonte: decaruaru.com.br
Do Pará ao Rio: uma rede de resistência
Antes de chegar ao Rio, o coletivo esteve na Vila Tauiry, no Pará, onde criou, a partir das histórias das moradoras, um mural dedicado ao Pedral do Lourenção, formação rochosa do rio Tocantins ameaçada pelo avanço da hidrovia. Esse trabalho reforça a visibilidade das lutas no Norte do país, especialmente diante da atuação do Estado brasileiro em grandes empreendimentos que desconsideram os moradores locais.
Representando a Aliança Chega de Soja, uma das idealizadoras do projeto, a ativista destacou: “Um dos nossos principais objetivos é visibilizar essas lutas no Norte do país. Uma vez que o próprio Estado brasileiro é responsável pela construção de inúmeros grandes empreendimentos que desconsideram completamente as pessoas que vivem nesse espaço”.
Mulheres indígenas e o território como sagrado
Lilian Terena, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ressaltou o poder da imagem e sua relação direta com a crise climática. Para ela, a presença feminina nos territórios indígenas é essencial para a preservação da vida e do planeta.
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Fonte: ocuiaba.com.br
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Fonte: soudesaoluis.com.br
“As pessoas podem olhar para a gente e achar que só estamos brigando por um pedaço de terra. Não. Para nós, o nosso território é sagrado. É a nossa vida. E a continuação do planeta vem de dentro dos territórios”, defende Lilian.
Consulta prévia e direitos garantidos
Segundo a resolução 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), empreendimentos com grande impacto sobre populações locais devem respeitar a consulta prévia dessas comunidades, assegurando seus direitos e participação nas decisões que afetam seus territórios. O mural no Rio reforça essa exigência e provoca reflexão sobre os rumos da hidrovia Araguaia-Tocantins.

